Celular Seguro: veja qualidades e fragilidades do app para bloqueio de aparelhos furtados ou roubados

Usuário de confiança cadastrado no sistema precisa não ter o aparelho roubado na mesma ocasião Studio Porto Sabbia / adobe.stock.com

Especialista em tecnologia compartilhou suas primeiras impressões sobre a nova ferramenta apresentada pelo governo federal.

Com mais de 873 mil registros efetuados na ferramenta até a última quinta-feira (28), o aplicativo Celular Seguro tem obtido a adesão de cidadãos que buscam reduzir danos decorrentes de eventuais situações de crime com furto ou roubo do telefone móvel. Em pouco mais de uma semana, foram registrados mais de 643 mil celulares na plataforma. Mais de 5 mil bloqueios foram realizados desde então no país. No RS, até a quinta, haviam sido 148.

Diante da novidade, perguntas sobre a efetividade do sistema passam a fazer parte da decisão de quem adere ao aplicativo desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O Celular Seguro efetua o bloqueio do aparelho em situação de furto ou roubo, vinculando bloqueios de aplicações de bancos, serviços de transporte e sites de compras ao mesmo procedimento.

Para o especialista em tecnologia Ronaldo Prass, a ferramenta ainda precisa ser testada na prática pelo conjunto de usuários e seu desempenho deve ser analisado a partir das experiências. Contudo, Prass revela que alguns aspectos já podem ser verificados e avaliados:

— Há a promessa de que o aplicativo pode inutilizar o aparelho, mas isso não é uma condição totalmente real. Pessoas com conhecimento, que não precisa ser tão especializado assim, serão capazes de desbloquear aparelhos, incluindo uma nova IMEI, tornando o aparelho novamente utilizável, o que pode ocasionar a possibilidade de venda dos celulares roubados — descreve o especialista em tecnologia.

IMEI, explica Prass, significa International Mobile Equipment Identity ou Identificação Internacional de Equipamento Móvel, na tradução para a língua portuguesa. O especialista considera que esta perspectiva, ao invés de inibir os crimes, pode aquecer o mercado clandestino de desbloqueio de celulares financiado por células receptadoras de aparelhos.

 

Vantagem

Por outro lado, Ronaldo Prass acredita que a vinculação do bloqueio promovido pela ferramenta com a inativação da linha e dos aplicativos de bancos e serviços é uma efetiva vantagem oferecida pelo App Celular Seguro.

— A rápida notificação do crime e a suspensão das aplicações são algo positivo, pois vão de fato proteger as vítimas de danos decorrentes da posse do aparelho por criminosos, tais como o uso indevido da ferramenta Pix para transferência de valores — exemplifica.

Outra vantagem, segundo o especialista, é a inativação do acesso à memória interna dos aparelhos, o que impede o roubo de dados pessoais e afetivos, como documentos, fotografias e outros objetos de caráter particular e íntimo.

Ainda como uma condição de interpretação delicada sobre o procedimento, há a questão da definição das pessoas de confiança, que poderão solicitar o bloqueio. Ele lembra que é comum que estas pessoas de confiança, como integrantes de uma mesma família, podem estar juntos em uma situação de crime, ocasionando a perda do telefone de confiança de forma cruzada.

— Assim não haverá quem possa solicitar o bloqueio. Uma forma de superar esta adversidade é escolher alguém de fora da relação familiar, mas que também seja de alta confiança. Outro meio é ter um aparelho velho em casa registrado para ser o acionador do alerta de bloqueio — sugere Prass.

 

Como acessar

O App Celular Seguro pode ser baixado nas lojas de aplicativos para Android e iOS. O acesso se dá na plataforma de serviços Gov.br, do governo federal. Para acionar o sistema, o usuário deve cadastrar ao menos uma pessoa de sua confiança, que irá solicitar o bloqueio do celular roubado pelo seu número de telefone.

gauchazh.clicrbs.com.br

 

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