Famílias à margem da BR 290 à espera da volta para casa

Famílias permanecem em barracas à margem da rodovia federal. | Foto: Mauro Schaefer

Além das tendas improvisadas, pessoas dormem em veículos estacionados nas laterais da rodovia federal.

O gari Adilson Soares Pinto, 58 e a esposa, Graziela Lemos Brito,40, aproveitaram a segunda-feira ensolarada para amenizar o frio.

Escolheram a grama que recobre o canteiro central da BR 290, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, para sentar e aquecer o corpo, enquanto observam os carros e conversam sobre a reconstrução da casa que possuem na Ilha Grande dos Marinheiros, alagada no início de maio.

Os dois já retomaram o imóvel, mesmo sem ter condições de repor o que perderam para a inundação, contudo, quase que diariamente voltam para a margem da rodovia federal, hábito que adquiriram ao viver no local por 45 dias em uma barraca improvisada.

Passados dois meses, cerca de 75 pessoas desabrigadas ainda não têm alternativa.

“Nós e muitos vizinhos viemos para cá. Não tinha o que fazer, perdemos tudo”, justifica Pinto.

ilhadosmarinheiros-1 Famílias à margem da BR 290 à espera da volta para casa
Adilson e Graziela voltam com frequência à BR 290, onde acamparam por 45 dias. | Foto: Mauro Schaefer

O casal não tem todos os móveis, não trocou as portas ou reparou as paredes estufadas pela água, mas dorme todos os dias um pouco mais protegido da baixa temperatura do inverno.

Diferente de muito dos amigos que permanecem no canteiro central da rodovia por necessidade. “Acabei de comprar uma cozinha, foi só o que deu até agora”, diz Graziela.

Além das tendas improvisadas, pessoas dormem em veículos estacionados nas laterais da rodovia. Situação que, deve persistir até que os níveis do Guaíba e do Rio Jacuí reduzam de forma a oferecer segurança.

Moradora da Ilha do Pavão, a recicladora Daniela Alessandra Carvalho, de 35 anos, passou a viver em uma kombi.

Ela está acompanhada de duas filhas, de 9 e 16 anos, e de um filho bebê, de três meses. “Nem lembro mais quando foi a última vez em que não houve inundação”, disse a mulher.

“Eu não confio, vivo com medo de alagar de novo. No inverno temos cheias, em setembro sempre tem mais água, não sei o que vai ser da gente”, teme Adilson.

Para amenizar o problema, a prefeitura de Porto Alegre mantém um posto avançado com serviços de saúde, assistência social e habitação no bairro Arquipélago.

Equipes da Secretaria de Serviços Urbanos (SMSUrb) se uniram a representantes da Marinha do Brasil para intensificar a retirada de entulhos e a limpeza das ruas.

A região das Ilhas tem uma força-tarefa de 15 garis, que trabalham com sete caminhões e duas retroescavadeiras para o recolhimento dos resíduos.

 

Correio do Povo

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