“São diferentes dores e sintomas”: psicóloga dá dicas de como cuidar da saúde mental em meio à tragédia climática no RS

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior índice de ansiosos do mundo, condição que cresce com os problemas no Estado. Unimed Nordeste-RS / Divulgação

Em entrevista à Rádio Gaúcha Serra, psicóloga lembra que os mais variados sentimentos afloram diante de tantas perdas.

O Rio Grande do Sul vive a maior tragédia climática da sua história. A chuva invadiu ruas, praças, estabelecimentos, casas. Cidades foram devastadas, vidas foram perdidas.

Cerca de 90% da população foi afetada de maneira direta ou indiretamente. Os mais variados sentimentos se misturam em meio a tantas noticias ruins nas últimas semanas.

Os traumas acontecem pela perda de um ente querido ou amigos e ou pelo fato de muitos terem que sair de casa, sem uma perspectiva de como recomeçar a vida. Tudo isso é um alerta para o cuidado com a saúde mental.

— São diferentes dores, diferentes sintomas. Há pessoas que perderam suas casas, pessoas que perderam seus pertences e muitos até familiares. Então, nós estamos falando de uma situação de trauma grave e de luto. Com essa situação de luto, de trauma, vem a dor, o sofrimento, vem sintomas de ansiedade, de forte estresse. Então, a importância de estar atento a esses sinais e pedir também ajuda — comentou a psicóloga Eduane Pizarro Ribeiro, da Unimed Nordeste-RS, em entrevista ao programa Show dos Esportes, na Rádio Gaúcha Serra.

As pessoas diretamente afetadas merecem todo o apoio psicológico neste momento. E há casos de quem não foi atingido também se sentir culpado.

— Existe um sentimento de impotência muito grande, de querer ajudar, de empatia muito grande. Porém, a situação de até que ponto eu consigo ajudar. E muitas vezes, o que eu tenho visto nos atendimentos são sentimentos de culpa relacionados. Por que eu estou bem? Eu não fui afetado diretamente, sendo que estamos todos no mesmo Estado. A gente fala sobre uma síndrome do sobrevivente, que é quando me sinto culpado ou angustiado por estar bem. Então, é importante nós estarmos atentos a todos os sinais. Muitos relatos de insônia, ansiedade. E o que nós estamos vendo, que está se desenhando, é uma ecoansiedade — avaliou a psicóloga Eduane.

 

Para ajudar na redução do estresse e aumentar o bem-estar emocional é importante o autocuidado. 

— A primeira coisa seria evitar o acúmulo de informação. Ter um filtro, de onde está vindo essa informação, quem está me trazendo essa informação, para testar a veracidade mesmo dos fatos para a gente não se contaminar com informações irreais. E aí as redes sociais se tornam um problema — disse a profissional, que completou:

— É um momento de fortalecer os vínculos. Daqui a pouco, eu estou na minha sala com o meu filho, com o meu companheiro, minha companheira, e eu estou tomado por informações com o celular na mão. Sendo que o olho no olho, o afeto, o dizer sobre o agora, o comentar, sobre como eu estou me sentindo, isso é importante. Focar também em leituras positivas. Então, 100% do meu dia eu posso dividir ele em notícias, em ter o conhecimento, mas também em leituras positivas, frases de motivação, de resiliência para que eu possa passar para os diretamente afetados.

Acolhimento

Uma dica importante da psicóloga e sobre o acolhimento de pessoas afetadas pela tragédia climática no Rio Grande do Sul.

— O que que eu indico sempre para pessoas que vão dar uma palavra de conforto para os afetados diretos: não questionem sobre os detalhes. Isso faz com que se reviva esse trauma que ainda é recente. Então, sim, existe um trauma, existe um processo de elaboração, mas que tem que ser respeitado no tempo exato, no tempo certo. Então, ouçam, escutem essas pessoas, acolham essas pessoas. Mas não no sentido de questionar sobre o detalhe — finalizou a psicóloga Eduane.

Onde buscar atendimento em saúde mental para vítimas das enchentes no RS

Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre

A Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre está disponibilizando atendimento psicológico e psiquiátrico online gratuito tanto para as vítimas das enchentes quanto para os profissionais de resgate. O atendimento é voltado para adultos, crianças e famílias.

Contato: (51) 99113-5950 – Vera

 

Grupo DOC

O Grupo DOC disponibiliza, de forma online, atendimentos psicológicos e médicos gratuitos para a população gaúcha atingida pelas enchentes, por meio da plataforma de telemedicina TeleDOC. Para essa iniciativa, o Grupo já conta com mais de 5 mil profissionais _ médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais _ atendendo 24 horas por dia. Para realizar a consulta, é preciso realizar o cadastro e aguardar o atendimento no site teledoc.med.br/rs/.

 

Abrigos e serviços de referência

A população também pode procurar os serviços de referência em saúde mental em cada município, conforme orientação do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRPRS). Na maioria dos abrigos para vítimas das enchentes, também há psicólogos prestando atendimento.

 

Escola de Estudos Psicanalíticos

A Escola de Estudos Psicanalíticos, órgão que atua em todo Estado, por meio de profissionais parceiros, oferece serviço de atendimento psicanalítico gratuito para atingidos pelas enchentes.

O atendimento é realizado por videochamada, por áudio, ou por ligação telefônica, dependendo das circunstâncias em que se encontra a pessoa atingida.

O serviço pode ser solicitado pelo telefone (51) 99221-2557. A escola também busca dar atendimento a voluntários e equipes técnicas de resgate.

 

gauchazh.clicrbs.com.br

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