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Morre Glória Menezes, aos 91 anos

Atriz, que marcou  a história da televisão brasileira, atuou em mais de 40 novelas da Globo e foi casada por décadas com Tarcísio Meira.

Morreu nesta terça-feira, no Rio, 91 anos, a atriz Glória Menezes, uma das mais queridas artistas da televisão brasileira.

A informação foi confirmada pelo secretário da família, Tadeu Lima. Segundo ele, ela estava em casa. “Faleceu como dona Laurinha (Cardoso, que morreu na madrugada desta terça-feira)”, disse Tadeu.

Glória Menezes gostava de brincar que seu nome real não era exatamente “um nome, mas uma coisa”: Nilcedes Soares de Magalhães. Nilcedes, esclarecia, era a junção das sílabas iniciais dos nomes de seus pais: Nilo e Mercedes. Resultado: “Tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa 13 letras. Dá sorte”, dizia.

Pois deu sorte mesmo, como mostrou a longa trajetória na carreira que escolheu. Gaúcha de Pelotas, nascida em 19 de outubro de 1934, Glória transferiu-se com a família para São Paulo aos 6 anos. Na adolescência, já apaixonada pelo palco, começou a cursar a Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo – onde montou um grupo amador, o Jovens Independentes.

Logo em seu primeiro espetáculo, em 1959, ganhou o prêmio de Atriz Revelação num festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho (1929-2019).

 

Tarcísio Meira e Glória Menezes: O Casal da TV Brasileira

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Atriz morreu aos 91 anos em 18 de agosto de 2026, cinco anos depois da morte do ator, aos 85 anos, em 12 de agosto de 2021.

 

Com crescente demanda de trabalho, ela achou mais prático largar a faculdade. Naquele mesmo ano de 1959, estreou na TV, na novela “Um lugar ao sol”, da Tupi – e ganhou novo prêmio. Já em 1960, Antunes Filho a convidou para a peça “Feiticeiras de Salém”, outro marco em sua carreira não só por ter lhe rendido outro prêmio de Atriz Revelação, mas principalmente porque foi nos bastidores do espetáculo que entrou em cena, para o resto da sua vida, o jovem ator Tarcísio Meira, de 25 anos.

— Estava ensaiando a peça “As feiticeiras de Salém” e, de repente, passou aquela coisinha linda. Eu falei: “O que é isso?” Um tempo depois, fomos chamados para fazer um teleteatro, “Uma Pires Camargo” (1961) e ficamos amigos — relembraria Tarcísio, em entrevista ao GLOBO, já em 2015. — Quando ela lançou o filme “O pagador de promessas” (1962) em Cannes, mandei flores e um cartão escrito “volte, volte, volte”.

 

Explica-se: teatro (e paqueras) à parte, Glória foi convidada pelo cineasta Anselmo Duarte para fazer o principal papel feminino de “O pagador de promessas”, longa baseado na obra de Dias Gomes que foi rodado em 1960, participando do festival francês, onde ganhou a Palma de Ouro. Em 2021, a atriz lembraria assim daquela fase: “As coisas vieram para mim de uma maneira que eu fico pensando: ‘Meu Deus, se acontecesse hoje, com a experiência que eu tenho, seria um horror’. Mas você vai de cabeça nas coisas quando está começando”.

Em meio à carreira ascendente, oficializou-se em 1962 a união do casal mais famoso da TV brasileira. Principais estrelas da Excelsior, os dois protagonizaram a primeira telenovela diária do país, “2-5499 Ocupado” (1963). Depois, foram mais nove novelas até o casal assinar com a TV Globo. Na emissora carioca, estrearam em “Sangue e areia” (1967), que inaugurou a faixa das 20h na teledramaturgia da casa.

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glória menezes – rainha da sucata. — Foto: Reprodução/Instagram

 

Durante 59 anos, Glória formou com Tarcísio uma espécie de “Casal 20” da TV brasileira. Após “Irmãos Coragem” (1970), bem-sucedida trama de Janete Clair que despertou o interesse do público masculino numa época em que novelas eram consideradas um produto essencialmente voltado às mulheres, eles fizeram par romântico em novelas como “O homem que deve morrer” (1971), “Espelho mágico” (1977), “Torre de Babel” (1998) e “A favorita” (2008). Em 1988, o casal estrelou o seriado “Tarcísio & Glória”.

“Existe um respeito mútuo no trabalho de cada um e uma colaboração amiga, porque não existe amigo maior do que o Tarcísio – e eu me considero a melhor amiga dele também. Trocamos críticas construtivas, para que estejamos sempre melhorando”, disse Glória ao Memória Globo, em 2021.

O longo casamento sempre despertou a curiosidade do público. A respeito disso, Glória costumava dar o mesmo recado: “Não tem receita para um casamento longevo.

Se tivesse, eu estava trilionária (risos). Eu me considero uma privilegiada por ter um amor verdadeiro ao meu lado. A nossa convivência funciona para nós dois. Para outras pessoas, pode não dar certo. Cada casal é diferente do outro.

Tendo amor e respeito, todo o resto vai bem.”

 

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Tarcísio Filho e Gloria Menezes no especial ‘Tributo’. — Foto: Fábio Rocha / Globo

 

Mesmo com tantas produções na telinha, Glória nunca abandonou totalmente o teatro, participando de peças como “Tudo bem no ano que vem”, de Bernard Slade, que ficou em cartaz de 1976 a 1981; “Navalha na carne” (1981), de Plínio Marcos; e “Um dia muito especial” (1988), de Ettore Scola. Em 2000, atuou em “Jornada de um poema”, da americana Margaret Edson, vencedora do Prêmio Pulitzer, na qual interpretou uma paciente terminal de câncer.

“O teatro me ensinou o que preciso para fazer televisão e cinema. Ele dá o conhecimento necessário para interpretar qualquer personagem diante das câmeras, porque nos projetamos muito mais. Quem faz teatro, faz qualquer outra modalidade”, diria ela.

Em 2007, Glória estreou “Ensina-me a viver”, em que interpretava uma mulher de 80 anos. Adaptação de um filme homônimo de 1971 dirigido por Hal Ashby, a peça conta a história de Harold, um garoto obcecado pela morte que vê a sua vida mudar quando conhece Maude, uma idosa apaixonada pela vida. Na época, disse ao GLOBO: “Tenho muita coisa em comum com a Maude, mas gostaria de ter ainda mais. Como ela, tenho sede de viver e não temo a morte. Só não sou tão irresponsável… Ela é amoral, no bom sentido da palavra. Não se importa com o que os outros pensam, e eu não sou tão desprendida. Me preocupo com a minha imagem.”

 

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