Mãe, segundo os Espíritos
Revista Espírita,19 de março de 1861
“Tu vês ali, no lodo da miséria, uma mulher jovem e pálida, conservando ainda o traço de uma beleza virginal. Ela carrega um precioso e penoso fardo: uma criança em seu seio, um anjo gordinho sobre seu ombro, e seu primogênito conduzido pela mão.
Inclina-te diante dela, pleno de estima e respeito, de veneração e de amor, pois há nessa mulher uma mistura do mais amargo sofrer, e do mais delicioso sentimento que é o de ser mãe.
Mãe, antes de tudo, quer dizer: amor, mas amor heróico, mártir a cada instante do dia, junto a um terno devotamento combinado com lágrimas, e de sacrifícios muitas vezes em pura perda, mas que Deus não esquecerá.
Tua educação custa à tua mãe mais do que suspiros, e com frequência os olhos dela acusaram-te de ingratidão e, no entanto, foi ela que preparou o teu coração para ser sempre grato.
Cresceste sob sua égide, e mil vezes ela tremeu vendo-te em meio à arena do mundo, e seu amor te protegia.
Foi ela quem te mostrou Deus em sua própria vida de abnegação, louvando ao Pai na virtude; serviu-te como um espelho para tocar teus sentidos para a existência que é eterna.
Foi ela que, traçando diante de ti o caminho da probidade pelo preceito e pelo exemplo, facilitou-te as vias para obteres consideração aos olhos dos homens e recompensa em Deus.
Foi ela que te fez soldado, a honra do país, homem devotado para com a pátria, o defensor do verdadeiro direito.
Foi ela quem fez de teu coração o asilo do pobre oprimido; assim, a tua palavra o elevou e o reabilitou, num mundo injusto e perverso.
Foi ela quem inoculou em todo o teu ser, pelo próprio exemplo, um devotamento sem limites, que, dando-te a saúde ao corpo, não esqueceu a palavra consoladora que toca também a alma e é um remédio tão eficaz.
Foi ela quem te disse que o Cristo tinha uma mãe e que aquele que quer perseverar em sua obra e em sua fé deve respeitar mãe e família, porque o último olhar do Cristo, na cruz, foi para sua mãe;
Enfim, foi uma mãe que teve o privilégio único de ter dado ao mundo o Filho de Deus para vos servir de sustentáculo, por seu sangue e seus sofrimentos, por seu perdão e sua misericórdia.
Porém, uma mãe é a criação em miniatura; todas as obras-primas de Deus estão nela encerradas, sobretudo no seu coração foi que ele espalhou em profusão os Seus tesouros.
Nós outros, os Espíritos, pertencentes a todos os graus, estendemos nossa proteção de preferência àquela que foi nossa mãe; nossa lembrança é impulsionada naturalmente para junto dela. O posto destinado a todas as boas mães é brilhante como o diamante, feliz e duradouro como as promessas eternas.
Nesse solo de exílio e de provas, ama a tua mãe, pois ainda que lhe desses uma vida plena de satisfação, não poderias equilibrar o prato da balança que contém as aflições que lhe causaste. Ela, pouco exigente, muitas vezes cedeu a uma palavra tua e voltou a sorrir-te e a abraçar-te, depois de teres ferido o seu coração maternal.
Que Deus derrame superabundantemente em vossas almas o amor de vossas mães, antídoto que fará desaparecer os ódios de vosso século e vos devolverá os belos dias da verdadeira fraternidade e da vida em Deus.”
Lamennais.
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