“É um tsunami, não tem como usar outra palavra”, descreve morador da devastada cidade de Cruzeiro do Sul

Residências foram destruídas pela fúria das águas e destroços se empilham na avenida principal de Cruzeiro do Sul. Jonathan Heckler / Agencia RBS

Casas ao lado do Rio Taquari viraram escombros, após enxurrada da semana passada destruir município de 11 mil habitantes. Há comunicação com Lajeado e Venâncio Aires, mas nenhuma delas tem, por ora, ligação com a Capital ou com outras regiões do Estado.

Cidade que é separada de Lajeado apenas pelo Rio Taquari, Cruzeiro do Sul parece ter sido varrida por um tsunami. Praticamente nenhuma casa situada na orla ribeirinha sobrou intacta. As residências viraram escombros. De algumas, restam as fundações. De outras, paredes, sem telhado, janelas ou portas. A enxurrada da semana passada foi a mais violenta dentre as três que devastaram o município de 11 mil habitantes no curto espaço de sete meses.

— O rio consumiu com o bairro inteiro. É um tsunami, não tem como usar outra palavra — define Marcelo, um morador da área central, que há quase uma semana procura por um casal de tios desaparecidos.

A Avenida Emílio Trotter Sobrinho, a principal, costeia o Taquari. Dali, é possível ver os grandes prédios de Lajeado, situada em frente, do outro lado do rio. A diferença é que, na margem pertencente a Cruzeiro do Sul, só restam pedaços de casas. As de madeira viraram graveto. As de alvenaria estão dilaceradas como se bombas tivessem sido despejadas. Só que foi apenas chuva. Sofás foram parar no alto de postes e permanecem pendurados em fios.

Uma das raras residências que ainda poderá ser consertada é a bonita casa de dois andares do autônomo Júlio Cezar Hentz, situada numa parte mais elevada da orla. Nas duas primeiras enchentes, em setembro e em novembro de 2023, o casarão teve apenas o térreo e a garagem inundados. Apesar do alerta vermelho da Defesa Civil, Hentz confiou que a terceira cheia do ano, semana passada, não seria suficiente para atingir o segundo piso. Engano.

— Até que veio devagar, mas, em menos de oito horas, o rio avançou até o alto do segundo andar. Uns oito metros de água, inacreditável. Perdi todos os móveis. Salvei alguns eletrodomésticos — descreve ele, enquanto coloca sofás, camas e roupas para secar ao sol, que desponta aos poucos no Vale do Taquari, após oito dias de chuvas incessantes.

No dia da enxurrada, Hentz conseguiu convencer a mãe, dona Lídia, 87 anos, a ir para a casa de parentes. Ela estava relutante, porque a história da família se confunde com a da cidade. A frente do imóvel ficou irreconhecível. Além de vidros e portas levados pelo rio, ciprestes, laranjeiras e limoeiros caíram como peças de um dominó, deixando raízes expostas e um cheiro adocicado que começa a azedar, por efeito do sol.

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Residências foram destruídas pela fúria das águas e destroços se empilham na avenida principal de Cruzeiro do Sul. Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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Júlio Cezar Hentz salvou quadro com imagem religiosa. Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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Uma parede foi a única parte que sobrou dessa residência, distante cem metros do leito do Rio Taquari. Jonathan Heckler / Agencia RBS4960964_91bc3f633cda2b9 "É um tsunami, não tem como usar outra palavra", descreve morador da devastada cidade de Cruzeiro do Sul

Casas de alvenaria ruíram, total ou parcialmente. Jonathan Heckler / Agencia RBS

Uma oficina de bicicletas situada quase em frente à casa dos Hentz virou um cemitério de peças. Rodas, guidons, pedais estão espalhados num raio de 50 metros, parte deles caídos no rio.

Na mesma avenida, um quilômetro depois, uma usina de reciclagem de sucata foi tomada por lama e detritos.

As peças metálicas se confundem com o barro, animais mortos e detritos de todos os tipos.

Como se o martelar de canhões tivesse atingido a empresa, deixando pouca coisa intocada.

O salão paroquial de uma igreja católica virou refúgio para flagelados, que fazem fila para receber comida e roupas.

São mais de 800 desalojados em Cruzeiro do Sul e pelo menos uma dezenas de desaparecidos.

Cruzeiro do Sul, pelo menos, não está ilhada. Tem comunicação com Lajeado e com Venâncio Aires.

Mas nenhum desses municípios possui, por ora, ligação com a Capital ou com outras regiões do Estado. Estão isolados por quedas de pontes e elevação de águas nas rodovias.

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Cidade está viarada em escombros. Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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Município é separado de Lajeado apenas pelo Rio Taquari. Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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Avenida principal de Cruzeiro do Sul, distante 200 metros do rio, continua alagada quase uma semana após enxurrada.          Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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Praticamente nenhuma casa situada na orla ribeirinha sobrou intacta. Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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Enxurrada da semana passada foi a mais violenta dentre as três recentes que devastaram cidade de 11 mil habitantes.
Jonathan Heckler / Agencia RBS

 

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