Data é celebrada neste domingo para marcar o reconhecimento à atuação dos responsáveis por proteger a vida dos veranistas gaúchos.
Celebrado anualmente em 28 de dezembro, o Dia Nacional do Guarda-Vidas marca o reconhecimento a profissionais que, durante todo o verão, ocupam as guaritas das praias, rios e balneários do Rio Grande do Sul com uma única missão: proteger vidas.
Muito além dos resgates, o trabalho desses homens e mulheres é, principalmente, preventivo, orientando banhistas e evitando que situações de risco se transformem em tragédias.
Segundo o subcomandante do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) e coordenador-geral da Operação Verão pela corporação, coronel Ricardo Mattei Santos, a atividade existe com um propósito claro. “O principal ponto a salientar é que a função do guarda-vidas é a prevenção ao afogamento.
O salvamento acontece quando algo deu errado. O nosso objetivo é evitar que isso aconteça”, destaca.
O coronel reforça que a segurança no verão é uma responsabilidade compartilhada. Respeitar as orientações das guaritas, as bandeiras e os limites seguros do banho de mar é fundamental. “O banho seguro é aquele em água pela cintura. Locais mais profundos expõem o banhista a correntes, exigem condicionamento físico e adaptação ao meio, algo que a grande maioria das pessoas não tem”, alerta.
O consumo excessivo de álcool e a falta de atenção às regras também aparecem entre os fatores que mais colocam vidas em risco.
Mesmo com a incorporação de novos equipamentos e veículos, como motos aquáticas e quadriciclos, o comandante ressalta que nada substitui o preparo humano. “Independentemente dos meios, é fundamental que o ser humano esteja capacitado para intervir. Por isso seguimos tendo guarda-vidas, homens e mulheres, nos postos de segurança”, ressalta.
E são justamente as mulheres que vêm ganhando cada vez mais espaço nas guaritas. Para o coronel Mattei, essa presença representa uma evolução significativa. “Hoje temos um número cada vez maior de mulheres atuando como guarda-vidas. Independentemente de porte físico, elas demonstram total capacidade técnica para o resgate aquático. São, sem dúvida, verdadeiras guarda-vidas”, afirma.
Um exemplo dessa trajetória é a sargento Carla Rodrigues Avozani, comandante do pelotão de guarda-vidas de Arroio do Sal. Quando ingressou no curso, em 2010, foi apenas a nona mulher a se formar. “A cada curso, esse número cresce. Hoje sempre temos duas, três mulheres por turma, e isso nos fortalece muito”, conta.
Para ela, a presença feminina amplia não apenas a representatividade, mas também a união dentro da corporação. “A gente se ajuda, conversa, ajusta questões como uniforme e condições de trabalho. Somos ouvidas. Quanto mais mulheres, mais força e mais representatividade”, afirma.
Questionada sobre o preconceito ainda existente por parte dos veranistas, Carla é direta. “Sempre perguntam se a mulher consegue tirar um homem da água. E a resposta é sim. Nosso trabalho não exige só força, exige técnica, preparo e condicionamento. Muitas das hoje são as melhores da competição, porque têm técnica aprimorada”, destaca.
Com uma trajetória que passa pela linha de frente das guaritas, cursos especializados e hoje pelo comando de pelotão, a sargento resume o espírito da profissão: dedicação, preparo e compromisso com a vida.
GALERIA DE FOTOS: Dia Nacional do Guarda-Vidas / Fabiano do Amaral
Correio do Povo
















