Moradores do condomínio interditado após explosão na Zona Norte contam com a solidariedade para recomeçar

Vizinhos e outras pessoas solidárias auxiliam com doações | Foto: Maria Eduarda Fortes / CP

Pelo menos 60 pessoas estão alojadas temporariamente no salão de festas do condomínio, algumas apenas com as roupas que vestiam na madrugada do acidente.

Sem poder voltar para casa, moradores do condomínio da Zona Norte de Porto Alegre onde ocorreu uma explosão na madrugada de quinta-feira contam com a solidariedade para a retomada de suas vidas.

Seis das 22 torres permanecem interditadas e aproximadamente 60 pessoas estão desabrigadas, parte delas apenas com as roupas que usavam no momento em que evacuaram os apartamentos.

Das 400 pessoas que vivem no residencial, aproximadamente 300 foram liberadas para voltar para a casa. Contudo, o trauma vivido e o risco de queda da torre 10, local em que um apartamento explodiu, mantêm muitas famílias com medo.

Uma moradora que pediu para não ser identificada relatou que não retornará. Ela esteve no imóvel na manhã desta sexta-feira, recolheu pertences, mas revelou que pretende colocar a propriedade à venda. “Não dá para esquecer o pânico, não tem como dormir aqui mais nenhuma noite.”

Quem optou por não retornar está buscando apoio em casas de parentes e amigos. Contudo, parte dos que ainda não têm autorização para voltar para casa vive de forma improvisada no salão de festas. É o caso da operadora de caixa Adryane Santos da Silva, que mora em uma das unidades da torre número 11. “Eu, minha mãe e meu irmão decidimos ficar no salão, queriam nos levar para um albergue, mas não tem como”.

A dona de casa Daiane dos Santos da Silva também está alojada no espaço. Sem poder entrar em casa, comida, roupas de cama e até mesmo o banho dependem da ajuda de vizinhos. “Está muito difícil, mas ainda existe gente boa neste mundo”, celebra.

A solidariedade tem sido o mote no condomínio. Muitas pessoas têm ido ao local para entregar doações de roupas, comida e utensílios domésticos. Exemplo é o proprietário da empresa responsável pela segurança do conjunto habitacional. Ele pediu para não ser identificado, pois entende que o momento é “de ser humano ajudando ser humano, e nada mais”.

O vendedor Matheus Portal, 23 anos, já voltou para o apartamento em que mora. Ainda assim, permanece junto ao salão para auxiliar os vizinhos. “Importante ajudar, têm muitas pessoas e a gente tem que se conscientizar que podia ser nas nossas torres, então toda ajuda é bem-vinda”, convida.

Além da demanda urgente, outras dificuldades estarão postas quando a volta para casa for possível. Na torre 10, que ameaça desabar, pelo menos três apartamentos foram completamente destruídos, ao passo de que outras unidades próximas tiveram móveis inutilizados. “Vai ter quem vai voltar para casa e não vai ter armário, pia, um fogão” conta o montador Leandro Caetano Borel, 28 anos.

Para tentar minimizar os prejuízos, Alguns proprietários estão tentando encaminhar o seguro coletivo do condomínio. É o caso da Adryane Santos da Silva, moradora da torre 11, que também segue interditada. “Meu apartamento está cheio de rachaduras, a janela da sala foi arrancada. Não sei se vou continuar morando aqui, nem se vou poder voltar para o apartamento, mas preciso do seguro para reformar, nem que seja para vender ao menos, ou não vou ter dinheiro para reformar ou comprar em outro lugar”, revela.

O menino de 13 anos que percorreu o condomínio para avisar os vizinhos do perigo e inclusive ajudou um dos bombeiros feridos na explosão é uma das pessoas vivendo de forma improvisada no salão de festas. Enquanto espera a família definir onde morar no futuro, Adryan Matheus Santos da Silva tenta levar a vida tranquila e alegre de quem acaba de atingir a adolescência. Entre uma música e uma corrida no pátio, o menino continua recebendo elogios dos vizinhos pelo gesto que teve na madrugada do acidente. “O que o Adryan fez foi espetacular, ele foi o único que correu pra cima do fogo”, exalta o vizinho Anderson do Santos Menezes, que revela outros traços da personalidade do garoto, que é tímido para dar entrevistas. “Todo mundo aqui no condomínio sabe que ele é um arteiro, corre o tempo todo”, revela.

 

Novas avaliações e investigação

Uma equipe da Defesa Civil esteve no condomínio na manhã desta sexta-feira realizando novas avaliações na estrutura e verificando se os moradores alojados no salão de festas aceitavam ir para o albergue do município disponibilizado para acolher as famílias. Também durante a manhã um engenheiro da empresa responsável pela administração do residencial esteve no local, porém optou por não dar entrevista.

A principal hipótese do que causou a explosão continua sendo a fuga de gás de cozinha em um dos apartamentos, conforme o Corpo de Bombeiros. Existe a possibilidade de algum morador da torre atingida ter esquecido algum registro, uma vez que horas antes do acidente o prédio, com sistema de gás central, havia ficado desabastecido.
A investigação é conduzida pelo Instituto Geral de Perícias, que ainda não tem prazo estipulado para conclusão.

Total de vítimas chega a nove

Conforme o Corpo de Bombeiros, nove pessoas, que não tiveram os nomes divulgados, sofreram ferimentos em função da explosão.

Duas pessoas que não tiveram a identidade revelada, mas que moradores do condomínio afirmam ser o casal que morava no apartamento que explodiu, permanecem internados em estado grave no Hospital Cristo Redentor.

 

Correio do Povo

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