Imagens de Satélite mostram Mancha de Sedimentos no Guaíba e na Lagoa dos Patos

Imagens foram captadas por um satélite da Agência Espacial Europeia nos dias 14, 15 e 17 de maio. Agência Especial Europeia/LODS/Furg / Divulgação

Pluma é formada principalmente por fragmentos de solo e rocha, mas contém resíduos de materiais poluentes, dizem especialistas. Situação é consequência das enchentes e pode causar assoreamento e danos ambientais.

Uma composição de imagens de satélite feita pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) mostra uma extensa mancha de sedimentos que desce desde os rios do interior do Estado, chega no Guaíba e se espalha pela Lagoa dos Patos, no movimento vazante rumo ao Oceano Atlântico.

O cenário é consequência das fortes chuvas e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul desde o final de abril. Especialistas destacam que a carga de sedimento é mais elevada do que o padrão e pode ocasionar danos ambientais.

As imagens foram captadas por um satélite da Agência Espacial Europeia nos dias 14, 15 e 17 de maio. Especialistas da Furg aplicaram um tratamento de brilho para facilitar a visualização da mancha.

— Sem o realce também dá para ver de maneira bem evidente. A mancha corresponde à pluma de sedimentos oriunda da bacia hídrica do Guaíba. Ela pode envolver materiais como areia, argila, fragmentos de rocha e detritos de origem orgânica (vegetação) — diz o professor Fabrício Sanguinetti, coordenador do Laboratório de Oceanografia Dinâmica e por Satélites da Furg (LODS-Furg).

A coloração argilosa predominante da mancha é indicativo de que volumes de solo estão sendo transportados pelas águas em grande escala, diz o professor. Isso pode ter levado para dentro do sistema hídrico outros componentes.

— É difícil dizer exatamente o que compõe a mancha, mas não tenho dúvida de que há resíduos de químicos de lavouras, os agrotóxicos. E, muito provavelmente, tem água de esgoto — afirma Sanguinetti.

A linha vermelha na parte inferior das imagens de satélite indica a porção mais ao sul da pluma. Sanguinetti observa que o deslocamento está ocorrendo de forma lenta, influenciado pelos ventos. Os sopros do quadrante sul represam a lagoa e dificultam o escoamento para o Oceano Atlântico pela desembocadura dos molhes da barra do Rio Grande.

A mancha pode prejudicar o uso recreativo dos balneários da Lagoa dos Patos e trazer prejuízos ambientais.

— A pluma de sedimentos pode afetar tanto a flora quanto a fauna. Pode reduzir consideravelmente a penetração da luz do sol e a concentração de oxigênio dissolvido na água. Isso prejudica os organismos presentes na área, como os peixes. Esse evento pode desencadear uma mortandade anômala de peixes — alerta Sanguinetti.

A bacia hídrica do Guaíba tem 84 mil quilômetros quadrados. É composta por rios como Caí, Jacuí, Gravataí, Sinos e Antas-Taquari, além do próprio Guaíba. Todos receberam volumes históricos de chuva. Os cursos d’água descem desde o interior do Rio Grande do Sul até o Guaíba e, dali, seguem para a Lagoa dos Patos.

O professor Elírio Toldo Jr., do Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CECO-UFRGS), afirma que, em condições normais, a bacia hídrica do Guaíba transporta a média diária de três mil toneladas de sedimentos para a Lagoa dos Patos.

No período das enchentes, novas medições indicaram que o deslocamento de detritos aumentou para mais de 10 mil toneladas. O volume mais do que triplicou.

Toldo destaca que nem todo o sedimento segue o caminho do escoamento até o Oceano Atlântico. Uma parcela da pluma se acumula no canal do Guaíba e no fundo da Lagoa dos Patos. Isso irá ocasionar, observa Toldo, assoreamento de hidrovias.

— Todo o uso que se faz da água, seja comercial, industrial ou residencial, é drenado para esse sistema da bacia hídrica do Guaíba. Tudo o que é levado pela água da chuva é capturado pela drenagem. O principal fornecedor de sedimentos é o setor agrícola. A maior parte do sedimento é solo — comenta Toldo.

 

gauchazh.clicrbs.com.br

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