Ato em defesa do Rio Tramandaí reúne centenas de pessoas junto à ponte Giuseppe Garibaldi

Uma grande manifestação foi realizada na tarde deste domingo, 23, em defesa do rio Tramandaí.
O ato reuniu ambientalistas, pescadores, indígenas, organizações não governamentais, associações diversas, políticos e população em geral.
A atividade teve concentração na cabeceira da ponte Giuseppe Garibaldi no sentido Imbé para Tramandaí e na prainha ao lado da ponte em Imbé aconteceram as primeiras manifestações orais.
Diversas pessoas fizeram uso da palavra expondo o descontentamento com o despejo de esgoto tratado no rio Tramandaí pela Corsan.
Foi colocado que o movimento em defesa do rio Tramandaí não é de direita nem esquerda, mas de toda a população. “ Nossa luta é contra a Corsan e queremos ter acesso aos laudos técnicos e estudos realizados e ainda temos a esperança de um futuro melhor.” disse um representante da classe pescadora.
A pescadora Venina Moraes, que é delegada da Confrem (Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos) no RS, disse que o objetivo é defender o rio. “Estamos aqui para defender nosso rio. Vivo das águas assim como meus ancestrais. Nós somos os cartões postais da cidade e tudo o que temos vem das águas.” Disse.
O pescador Jorge da Rosa enfatizou a preocupação com a continuidade da pesca cooperativa, onde botos auxiliam os pescadores na captura da tainha e frisou que muitos clientes já anunciaram que irão deixar de adquirir peixe pescado no rio Tramandaí.
O presidente da Associação Comunitária Imbé Braço Morto, Álvaro Nicotti disse que parte das decisões são políticas. “Os candidatos ao governo do Estado deveriam se posicionar sobre o assunto. E onde estão os prefeitos de Imbé e Tramandaí?” questionou.
O biólogo, professor e integrante do Movimento Unificado em Defesa do Litoral Norte (MOV) Eduardo Ruppenthal disse que esta é uma luta visando o futuro. “ Devemos estar atentos , pois vem muito mais esgoto por ai e não aceitaremos que o rio vire uma cloaca.” Salientou.
Também houve a manifestação de representantes indígenas, de organizações não governamentais e outras entidades defensoras da causa.Após, os manifestantes seguiram em uma caminhada pela ponte Giuseppi Garibaldi em direção a Tramandaí empunhando dezenas de cartazes em defesa do rio Tramandaí e contra a Corsan.
A Brigada Militar acompanhou o ato e organizou o trânsito que teve momentos de lentidão no sentido Imbé-Tramandaí.
O lançamento de esgoto tratado no rio Tramandaí vem causando preocupação e há dois anos movimentos populares realizam atividades contrárias ao processo.
A Corsan diz que o tratamento é ambientalmente sustentável e que está alinhado com as licenças ambiental emitidas pela Fepam, permitindo o descarte de efluentes tratados no Rio Tramandaí advindos da Estação de Tratamento de Xangri-Lá II.
Existe uma disputa judicial onde, recentemente, a Justiça Estadual manteve a Licença de Operação dando continuidade ao empreendimento, entretanto as ações judiciais estão em tramitação.
jplitoral.com.br
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