
As Férias: o que observar antes de deixar seu pet em um hotel ou creche?
As Férias: o que observar antes de deixar seu pet em um hotel ou creche e quais são os direitos do tutor
As Férias: o que observar antes de deixar seu pet em um hotel ou creche e quais são os direitos do tutor
Além da preocupação com o conforto do pet, especialistas alertam que esses serviços também estão sujeitos às regras do Código de Defesa do Consumidor
Com a chegada das férias escolares e o aumento das viagens, cresce também a procura por hotéis e creches para animais de estimação. A praticidade desse tipo de serviço, no entanto, exige atenção dos tutores na hora da contratação. Estrutura adequada, protocolos de segurança, qualificação da equipe e transparência nas informações estão entre os principais fatores que devem ser observados antes de confiar o bem-estar do animal a um estabelecimento.
Além da preocupação com o conforto do pet, especialistas alertam que esses serviços também estão sujeitos às regras do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que garante direitos aos tutores e impõe deveres aos prestadores de serviço. Segundo o advogado Giordano Malucelli, especialista em Direito do Consumidor e sócio-fundador do GMP G&C Advogados Associados, o estabelecimento deve oferecer muito mais do que um local para hospedagem. “É fundamental que o hotel ou creche disponha de estrutura adequada, equipe capacitada, controle de entrada e saída dos animais, ficha individual com informações de saúde, regras claras de funcionamento e monitoramento constante. Pelo Código de Defesa do Consumidor, o serviço deve ser seguro, transparente e adequado à finalidade contratada”, explica.
Antes da hospedagem, o advogado também recomendam que o tutor solicite todas as informações sobre o funcionamento do estabelecimento. Entre os pontos que merecem atenção estão a rotina de alimentação, administração de medicamentos, higiene, critérios para convivência entre os animais, procedimentos em casos de emergência e acompanhamento veterinário.
“É importante que exista um contrato ou termo de prestação de serviço detalhando as responsabilidades de cada parte. A boa-fé, a transparência e a informação clara são princípios básicos das relações de consumo”, afirma Malucelli. Segundo ele, a ausência desses procedimentos pode caracterizar falha na prestação do serviço.

O que fazer em caso de acidente ou negligência
Apesar dos cuidados, acidentes podem acontecer. Em situações de ferimentos, desaparecimento ou até morte do animal durante a hospedagem, o estabelecimento pode ser responsabilizado civilmente. Nesses casos, o advogado orienta que o tutor reúna toda a documentação possível. “Fotos, vídeos, conversas por aplicativos, contrato, nota fiscal, prontuários veterinários e laudos são provas importantes para demonstrar o que ocorreu”, explica.
Além disso, é recomendável formalizar a reclamação junto ao estabelecimento e, se necessário, buscar reparação pelos prejuízos materiais e pelos danos morais sofridos. “O Código de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade objetiva do fornecedor. Isso significa que, comprovada a falha na prestação do serviço e o dano, o estabelecimento pode ser responsabilizado independentemente da demonstração de culpa”, afirma.
Da mesma forma, hotéis e creches também possuem deveres claros quando ocorre algum incidente envolvendo um animal. Segundo Malucelli, a primeira providência deve ser prestar atendimento imediato. “O estabelecimento deve comunicar rapidamente o tutor, providenciar socorro veterinário, preservar todas as provas relacionadas ao ocorrido, registrar internamente os fatos e fornecer informações claras sobre o que aconteceu”, explica.
Para o especialista, a transparência é fundamental não apenas para preservar a relação de confiança com o consumidor, mas também para reduzir conflitos futuros. “A omissão ou a demora na comunicação podem agravar a responsabilidade do estabelecimento e aumentar o dever de indenizar”, alerta.

Cuidados antes da contratação
Antes de fechar a hospedagem, Malucelli recomenda que os tutores façam uma visita presencial ao local, observem as condições de limpeza, segurança e organização, conversem com a equipe responsável e verifiquem se o estabelecimento possui protocolos claros para situações de emergência.
Também é importante confirmar se serão exigidos documentos como carteira de vacinação atualizada, histórico de saúde e informações comportamentais do animal, medidas que ajudam a garantir a segurança de todos os pets hospedados.
“Assim como acontece na contratação de qualquer outro serviço, informação, planejamento e transparência são fundamentais para que as férias ocorram com tranquilidade tanto para os tutores quanto para seus animais de estimação”, conclui Malucelli.
Kelli Kadanus
P+G Trendmakers
