Parasita atinge cães resgatados das enchentes no Rio Grande do Sul

O Dioctophyma renale é um parasita que acomete principalmente os rins dos cães Foto: Jurgen Mayrhofer/Ascom SSPS

As recentes enchentes que afetam quase todo o Rio Grande do Sul trouxeram à tona uma preocupação urgente para os abrigos e equipes de resgate de animais: o aumento dos casos de Dioctophyma renale, um parasita que acomete principalmente os rins dos cães.

A médica veterinária Mariana Botelho, que atua nos resgates voluntariamente, já identificou essa infecção em diversos animais, especialmente naqueles provenientes de áreas insulares.

O Dioctophyma renale geralmente é contraído pela ingestão de peixes ou rãs contaminados.

Os cães das áreas insulares são particularmente vulneráveis, pois costumam consumir vísceras ou peixes inteiros, que podem estar infectados com as larvas do parasita, alerta a médica. Uma vez ingerido, o verme pode migrar pelo corpo do animal e se alojar nos rins, causando sérios danos.

Mariana alerta que a detecção desse parasita só é possível por meio de exames de urina ou ultrassonografia abdominal.

Nos últimos dias, vários veterinários relataram um aumento significativo nos casos, indicando que o problema é mais grave do que se imaginava inicialmente.

Os cães infectados pelo Dioctophyma renale podem não apresentar sintomas claros imediatamente, o que dificulta o diagnóstico precoce. No entanto, alguns sinais são: dor abdominal, perda de apetite, sangue na urina e, em casos graves, insuficiência renal.

 

Tratamento

O tratamento para a infecção por Dioctophyma renale é a nefrectomia, ou seja, a remoção cirúrgica do rim afetado. Mariana ressalta a importância de realizar exames de urina e ultrassonografias abdominais em todos os animais resgatados das áreas afetadas pelas enchentes, especialmente aqueles das ilhas. É crucial identificar e tratar os casos o mais rápido possível para evitar complicações maiores.

Segundo a profissional, o Conselho Regional de Veterinária precisa custear os exames nesses animais. “Diante dessa emergência de saúde animal, é essencial que o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul tome medidas imediatas para financiar os exames necessários para detectar a infecção por Dioctophyma renale em animais resgatados.

A colaboração entre veterinários, abrigos e autoridades é fundamental para controlar a disseminação desse parasita e proteger a saúde dos animais resgatados. É de extrema importância que todos os abrigos de animais e equipes de resgate estejam cientes dessa ameaça e realizem os exames necessários. A população deve ser informada de que a Dioctophyma renale não é contagiosa para humanos ou outros cães, a não ser que haja ingestão de peixe ou rã contaminados.

Com a devida atenção e intervenção, é possível mitigar os impactos dessa infecção e garantir o bem-estar dos animais afetados pelas enchentes”, afirmou.

 

osul.com.br

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