A escola Portela vai homenagear no seu samba-enredo as raízes negras do RS.
O município de Osório vai estar representado, no próximo dia 15 (domingo), no maior Carnaval do mundo, o do Rio de Janeiro, uma das principais manifestações culturais do país.
O grupo Maçambique de Osório vai desfilar em uma das alas da Escola de Samba Portela, uma das mais tradicionais do estado fluminense, pelo grupo especial.
A escola vai levar para o desfile da Sapucaí o tema “O Mistério do Príncipe do Bará — A Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”, uma homenagem às raízes negras do povo gaúcho.
A notícia da participação do grupo osoriense no desfile ocorreu em julho e no final do ano passado, o convite oficial para participar de uma das alas da Portela que vai exaltar a negritude gaúcha e as raízes africanas presentes no Rio Grande do Sul, mostrando a riqueza cultural do povo que ajudou a moldar a história, incluindo o grupo Maçambiques de Osório.
O enredo ainda vai contar a história e a influência do Príncipe Custódio Joaquim de Almeida, uma figura histórica e espiritual originária do Benim, na África, que viveu em Porto Alegre.
O grupo Maçambique vai participar na avenida pelas representações da Rainha Ginga, Francisca Dias e do Rei Congo, João Batista Rodrigues. “É uma emoção muito grande levar a nossa tradição e representar o município de Osório, a cultura osoriense no maior evento cultural do país e num dos maiores do mundo”, disse Francisca.
A participação do grupo, levando o nome da cidade ao evento, terá o apoio da Administração Municipal de Osório.
“Osório tem uma grande oportunidade de se fazer representar no Carnaval do Rio de Janeiro, através de uma das manifestações culturais mais importantes da cidade que são os Maçambiques. É uma manifestação que faz parte da nossa origem, da nossa cultura, tem uma tradição importantíssima e revela a saga de um povo e isso está mantido na história de Osório. Neste momento, o Executivo Municipal vai ajudar o Rei e a Rainha a participarem do Carnaval da Portela para divulgar a nossa história, para divulgar a nossa cidade, para trabalhar a ideia de manutenção da nossa cultura, principalmente, na política cultural”, afirma o prefeito de Osório, Romildo Bolzan Júnior.
A Tradição Maçambique
O maçambique é uma das variações gaúchas das congadas, uma tradição secular em Osório, considerado patrimônio histórico imaterial do Estado e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que possui origens e influências nas festas de coroação de reis negros praticadas durante o período colonial, assim como breves influências portuguesas e, dependendo do local, também indígenas.
Em Osório, é praticada por negros devotos à Nossa Senhora do Rosário que, através de seus cantos, tambores e danças, pagam promessas por graças atendidas pela santa.
Para os quilombolas, dançar o maçambique é uma forma de retribuir à santa o cuidado que ela dedica a cada um de seus devotos.
A origem africana do festejo revela-se nas personagens principais do maçambique: o rei Congo e a Rainha Ginga.
O Rei Congo e a Rainha Ginga são figuras históricas que, no século XVII, lideraram a resistência de Congo e de Angola, respectivamente, à presença portuguesa.
Esses reis simbolizam, no imaginário popular, a reação angolana e congolesa a Portugal e à escravidão.
Texto: Ascom PMO
Fotos: Diego Pedrotti















