As férias escolares ainda seguem em curso, mas o retorno às aulas já começa a mobilizar famílias e escolas.
Com a reaproximação da rotina, temas como a alimentação de crianças e adolescentes volta ao centro das atenções, especialmente quando se trata dos lanches consumidos ao longo do dia.
Mais do que uma questão prática, o assunto envolve melhores condições para o aprendizado, além da formação de hábitos que tendem a se estender pela vida adulta.
Segundo Júlia Valmórbida, professora do curso de Nutrição da Estácio, os lanches têm um papel estratégico na alimentação infantil e juvenil. “Além de matar a fome, eles são momentos importantes para fornecer energia de qualidade e nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento”, explica. No ambiente escolar, essa importância se intensifica, já que o cérebro está em constante atividade. “Um lanche adequado ajuda a manter os níveis de atenção, memória e disposição física mais estáveis. Sem isso, é comum observar queda no rendimento, sonolência e até alterações de humor ao final das aulas”, completa.
A boa notícia é que montar um lanche equilibrado não precisa ser complicado. A orientação é combinar alimentos que forneçam energia, promovam saciedade e garantam vitaminas e minerais. Entram nessa conta carboidratos como pães e bolos integrais, tapioca, aveia e frutas; fontes de proteína, como queijos, iogurte natural, ovos ou carnes; além de frutas e vegetais, que contribuem com fibras e micronutrientes. Um exemplo simples e funcional é o iogurte natural com fruta picada e granola caseira.
Na prática, porém, a correria do dia a dia costuma levar a escolhas menos adequadas. Júlia aponta que o erro mais comum é priorizar apenas a praticidade, recorrendo com frequência a ultraprocessados. “Sucos de caixinha, bolachas recheadas e salgadinhos são fáceis, mas geralmente ricos em açúcar, sódio e gorduras de baixa qualidade”, alerta.
A mudança começa quando o lanche passa a ser visto como uma pequena refeição importante. Preparar frutas para a semana, assar um bolo caseiro ou envolver as crianças no planejamento são atitudes simples que fazem diferença e aumentam a aceitação.
A qualidade do que vai na lancheira também impacta diretamente o desempenho em sala de aula. Conforme aponta a nutricionista, alimentos ricos em açúcar provocam picos rápidos de energia, seguidos de queda, o que se reflete em agitação e dificuldade de concentração. Já combinações com carboidratos complexos, fibras e proteínas garantem uma liberação mais lenta de energia, favorecendo foco, disposição e melhor processamento das informações.
O incentivo passa, sobretudo, pelo exemplo. Crianças observam e reproduzem comportamentos. Ter frutas e vegetais sempre disponíveis, reduzir o estoque de ultraprocessados e incluir os pequenos no preparo das refeições tornam as escolhas mais naturais. Júlia lembra que a rejeição inicial a novos alimentos é normal: “É preciso paciência. Oferecer o mesmo alimento em diferentes preparações, sem pressão, costuma funcionar melhor do que insistência ou brigas.”
Para variar o cardápio e tornar os lanches mais atrativos, criatividade conta mais do que ingredientes caros. Dias temáticos, sanduíches em formatos diferentes, espetinhos de frutas ou a proposta do “faça você mesmo”, em que a criança monta o próprio lanche, ajudam a despertar o interesse por uma alimentação mais saudável e nutritiva.
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