Por que algumas pessoas sentem mais frio do que outras?

Endocrinologista da Hapvida explica como metabolismo, massa muscular, circulação e condições de saúde influenciam a percepção do frio durante o inverno.

Enquanto algumas pessoas enfrentam os dias mais frios do inverno usando apenas um casaco leve, outras precisam de várias camadas de roupa para suportar a mesma temperatura.

A diferença, comum durante o inverno na Região Sul do Brasil, considerada a mais fria do país segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), vai muito além da percepção individual e pode estar relacionada ao funcionamento do organismo.

 

 

Segundo a endocrinologista da Hapvida, Gabriela Iervolino, fatores como metabolismo, massa muscular, circulação sanguínea, idade e até algumas doenças influenciam diretamente na forma como cada pessoa reage às baixas temperaturas.

A explicação está na própria fisiologia do corpo humano.

A produção de calor depende do metabolismo, que varia de pessoa para pessoa, e da quantidade de massa muscular, responsável por gerar energia térmica durante sua atividade. “Mesmo que os corpos humanos tenham muitas semelhanças, existem diferenças individuais que fazem com que cada pessoa tenha uma percepção diferente da temperatura. Massa muscular, tecido adiposo e fatores genéticos influenciam diretamente nessa resposta”, explica a endocrinologista.

De forma geral, pessoas com maior quantidade de massa muscular tendem a sentir menos frio, já que os músculos mantêm o metabolismo mais ativo e favorecem a produção de calor. O mesmo acontece, em certa medida, com o tecido adiposo, que funciona como uma camada isolante e ajuda a reduzir a perda de calor corporal.

Essa característica explica, por exemplo, por que homens costumam relatar menos desconforto durante o frio. “Os homens apresentam níveis fisiológicos mais elevados de testosterona, o que favorece naturalmente uma maior massa muscular e, consequentemente, uma menor sensibilidade às baixas temperaturas”, afirma Gabriela.

Por outro lado, mulheres, pessoas idosas, crianças e pessoas muito magras costumam perceber o frio com mais intensidade. A especialista destaca que, nesses grupos, é comum existir menor quantidade de massa muscular e, muitas vezes, menos tecido adiposo, fatores que reduzem o metabolismo basal, comprometem a produção de calor e dificultam a manutenção da temperatura corporal.

Além das características naturais do organismo, algumas condições de saúde também podem aumentar a sensibilidade ao frio. Problemas circulatórios, especialmente doenças arteriais, reduzem a irrigação sanguínea das extremidades do corpo, deixando mãos e pés mais frios e, em casos mais graves, aumentando o risco de lesões.

Alterações hormonais, como as doenças da tireoide, também interferem na percepção da temperatura. “No hipertireoidismo, por exemplo, o metabolismo fica acelerado de forma patológica, fazendo com que a pessoa sinta menos frio do que realmente deveria naquele ambiente”, ressalta a endocrinologista.

O frio intenso também exige atenção especial de pessoas com doenças cardiovasculares. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% da população adulta brasileira convive com hipertensão arterial, condição que pode exigir ainda mais cuidados durante o inverno.

Isso porque as baixas temperaturas provocam a contração dos vasos sanguíneos, elevam a pressão arterial e aumentam o esforço do coração. “Pacientes com risco cardiovascular precisam redobrar os cuidados durante o inverno, já que o frio pode favorecer eventos graves, como o infarto agudo do miocárdio. Também é importante monitorar a pressão arterial com mais frequência nessa época do ano”, orienta a médica.

Embora sentir frio seja esperado durante o inverno, alguns sintomas indicam que o organismo pode estar sofrendo mais do que o normal.

Pele muito pálida e fria, tremores intensos, perda de sensibilidade nas extremidades, dificuldade para movimentar mãos ou pés e confusão mental são sinais de alerta que exigem aquecimento imediato e, dependendo da intensidade, avaliação médica.

Para enfrentar o inverno de forma mais segura, os cuidados vão além de vestir roupas pesadas.

A recomendação é usar roupas em camadas, mantendo especialmente mãos, pés e cabeça aquecidos, além de evitar mudanças bruscas de temperatura.

Manter uma alimentação equilibrada, priorizar alimentos quentes e nutritivos, preservar uma boa hidratação, mesmo quando a sede diminui, praticar atividade física regularmente e dormir bem também ajudam o organismo a manter a temperatura corporal de forma mais eficiente.

A endocrinologista também faz um alerta sobre um hábito comum nos dias frios: o consumo de bebidas alcoólicas para “aquecer o corpo”. “O álcool provoca apenas uma falsa sensação de calor. Na prática, ele pode fazer com que a pessoa permaneça exposta ao frio sem perceber o risco, aumentando a chance de complicações”, finaliza.

 

 

Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina.

A companhia, que possui mais de 77 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 85 hospitais, 74 prontos atendimentos, 364 clínicas médicas e 309 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico.

Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.

 

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