Empresa gaúcha idealizou refrigerante usando a mesma planta do chimarrão e tem despertado interesse até mesmo em Dubai.
Uma megaexposição como a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, sempre é um dos ambientes mais oportunos para o lançamento ou apresentação ao mundo de um produto novo, diferenciado e, por vezes, até revolucionário.
INFORME PUBLICITÁRIO
Corretor Fortes – O Seu corretor de Imóveis do Litoral e Serra Gaúcha
Encontre seu próximo imóveI em nosso Instagram
Acesse clicando na imagem.
Foi o caso do refrigerante originado de um verdadeiro patrimônio do Rio Grande do Sul, bebida que fez sucesso no estande da Embrapa na feira: o Yerba Matte, derivado das folhas de erva-mate, uma bebida verdadeiramente “verde-amarela-vermelha”. Inventada na empresa Ervais do Futuro, de Espumoso, e envasada na indústria Elenza, de Anta Gorda, também participa com a estrutura comercial e de distribuição, e, em suas origens, ainda teve a pesquisa com a cultura na Embrapa Florestas, sediada no Paraná.
O produto chegou ao mercado há cerca de quatro meses, mas já atende aos estabelecimentos gaúchos, paranaenses e paulistas, além do Distrito Federal, assim como há negociações com Paraguai e Uruguai. Em breve, um contêiner com latas do Yerba Matte, com inscrições em árabe, vai atravessar o mundo para Dubai, após marcar presença na maior feira de alimentos e bebidas do mundo, a Anuga, em Colônia, Alemanha, em outubro.
Já são 600 pontos de venda, incluindo as unidades da principal rede de supermercados do Estado, que possui loja em São Paulo. Hoje são produzidas cerca de 300 mil latas de 355 mililitros por mês em sabores normal e zero açúcar, mas a meta é de 1 milhão de latas/mês até o final do ano.
Bebidas alternativas de erva-mate não são novidade, além da mais conhecida e popular de todas, o chimarrão. Mas qual é o diferencial do refrigerante gaúcho?
“No Brasil, tem outras marcas, mas nenhuma delas é saborizada com extrato natural e só com o extrato. No mundo, a gente não encontrou nenhuma somente com extrato natural de erva-mate. As outras geralmente têm adições de outras coisas”, explica uma das idealizadoras do refrigerante, a engenheira-florestal Natália Saudade de Aguiar, que, no princípio, trabalhou na Ervais do Futuro e, depois, se tornou sócia da empresa.
Natália, que é natural de Vacaria, explica que o diferencial é que o refrigerante não tem aquele tradicional sabor da erva-mate. “A gente pode fazer processamentos diferentes da matéria-prima, que pode resultar em um produto completamente inédito em termos de sabor. Ela (erva-mate) tem essa versatilidade. E o refrigerante também. As pessoas provam e falam: ‘Nossa, eu achei que era amargo’”, conta. “As pessoas procuram ele por ser um produto mais saudável. O extrato é o mesmo, a concentração é a mesma, mas a sensação do sabor é diferente”, complementa.
A relação de Natália com a erva-mate começou como aluna de Engenharia Florestal, na Universidade Federal do Paraná, então estagiária na Embrapa Florestas, sediada em Colombo. Até então ela nem ao menos conhecia a planta. Mas se apaixonou tanto pela cultura que fez mestrado e doutorado na universidade, em parceria com a unidade da Embrapa, na área de produção de compostos bioativos da espécie arbórea. Depois, conheceu a empresa Ervais do Futuro, de propriedade de Ilo Diehl, que tinha implantado, em 2014, o cultivo em Espumoso, município sem tradição na atividade, com a proposta de vender a produção a empresas ervateiras.
Contudo, as sucessivas secas levaram a irrigar a área de 35 hectares. E, na sequência, a implantar o sistema Cevad Campo, desenvolvido pela Embrapa, pelo qual, em vez de 2,2 mil plantas por hectare, em um espaçamento de 1,5 por 3 metros entre plantas, a população passou a 44 mil pés (0,30 por 0,50 metro). As colheitas passaram a ser mais frequentes, com folhas mais jovens. O sistema é pioneiro para a erva-mate, mas já estabelecido em cultivos de chás, e a propriedade foi a segunda a implantá-lo. Natália acompanhou este processo, e depois foi convidada a ser sócia da empresa, onde hoje é responsável técnica de produção e de desenvolvimento de produto.
Muitas tentativas
Antes de chegar ao refrigerante, foram tentados outros produtos alternativos para agregar renda. Como a exportação de uma erva-mate diferenciada proveniente de colheita precoce, com altíssimo teor de cafeína, ideal para bebida energética; e ainda um produto de folhas jovens e enroladas mecanicamente, a ser adicionado à água quente e que gera um sabor semelhante ao chá verde, providencial à saúde. “Sabemos que as folhas jovens têm este potencial de acordo com as pesquisas com a Embrapa. Então, queríamos desenvolver algo com esta matéria-prima”, explica Natália, até chegar a um pó ultrafino, como o Matcha, da planta Camellia Sinensis, de grande aceitação em muitas regiões do mundo. “Começamos a pensar nos produtos que poderíamos aplicar a pesquisa”, conta Natália.
Até que um dia, enfim, o insight. “Foi uma ideia que nosso sócio (Ilo Diehl) teve quando visitou a Suíça e viu marcas de refrigerantes de erva-mate do exterior, no mercado normal, na prateleira, com marcas. E não era nem só uma. Ele acabou comprando para provar, de curiosidade”, conta. No início foi tentada a importação do produto, mas nenhuma empresa se dispôs a fazer negócios.
“Resolvemos que a gente iria criar nosso próprio refrigerante de erva-mate. No começo, era para ser mais como uma demonstração da aplicação da erva-mate, que podemos aplicar em diferentes produtos, fazer bebidas”, revela. “As pessoas realmente não conhecem todos os sabores que a erva-mate pode proporcionar”, afirma. “Estamos tão focados que só dá para fazer chimarrão, tererê e chá mate tostado. Não sabemos das potencialidades. Além dessa parte toda química que pode ser utilizada em diversas indústrias, ainda podemos ter sabores completamente desconhecidos da erva-mate.”
Correio do Povo












