O tema da saúde mental tem ganhado cada vez mais espaço nas universidades, impulsionado pelas mudanças na rotina acadêmica, pelas pressões relacionadas ao desempenho e também por uma maior conscientização sobre o bem-estar emocional.
Nesse cenário, professores e colegas de turma acabam ocupando um lugar importante na identificação de sinais de alerta e no encaminhamento de estudantes para apoio.
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De acordo com Leonardo Machado Pereira, responsável pelo Núcleo de Apoio e Atendimento Psicopedagógico (NAAP) da Estácio, algumas mudanças de comportamento podem indicar que um estudante está enfrentando dificuldades. Entre os sinais mais comuns estão quedas bruscas de rendimento, faltas recorrentes, desatenção acentuada, agitação ou retraimento repentino, além de alterações de humor e de comportamento em relação ao padrão habitual. Relatos de exaustão, dificuldade extrema de concentração, choros frequentes e comentários sobre não conseguir lidar com as demandas acadêmicas também merecem atenção.
“Nenhum sinal isolado fecha um diagnóstico, mas esses indícios podem mostrar que algo não vai bem e que vale a pena oferecer escuta e orientação”, explica Pereira. O especialista também destaca que mudanças no convívio social, como isolamento do grupo, conflitos frequentes com colegas ou irritabilidade excessiva, podem indicar sofrimento emocional.
Quando percebe esse tipo de mudança, a abordagem do professor precisa ser cuidadosa. O ideal é procurar o estudante de forma reservada e demonstrar preocupação genuína, abrindo espaço para diálogo sem pressão ou julgamentos. Uma conversa simples pode fazer diferença no processo de acolhimento. “Muitas vezes, um simples comentário como ‘percebi que tu parece diferente nas últimas semanas, se quiser conversar estou disponível’ já cria uma oportunidade importante de acolhimento”, observa.
Ainda assim, é importante compreender os limites da atuação do docente. O papel do professor não é substituir o trabalho de profissionais da saúde mental, mas sim identificar possíveis sinais de sofrimento e orientar o estudante para os canais adequados de apoio. Quando as dificuldades são persistentes ou mais intensas, o encaminhamento para atendimento especializado torna-se fundamental.
“O papel do docente não é atuar como terapeuta, mas oferecer escuta inicial e orientar o estudante para serviços institucionais de apoio”, afirma Pereira. Nessas situações, o encaminhamento pode ser feito para núcleos de apoio psicopedagógico, coordenações de curso ou redes de cuidado externas, conforme a estrutura de cada instituição.
Dentro da sala de aula, algumas práticas simples também podem contribuir para tornar o ambiente acadêmico mais saudável. Entre elas estão a organização clara dos cronogramas, a distribuição equilibrada de avaliações ao longo do semestre e a criação de espaços de diálogo sobre dificuldades no processo de aprendizagem. Estratégias colaborativas, feedbacks construtivos e uma postura aberta dos professores ajudam a reduzir a ansiedade e fortalecem a sensação de segurança entre os estudantes.
Os colegas de turma também podem desempenhar um papel importante nesse processo. Muitas vezes, são eles os primeiros a perceber mudanças de comportamento e podem incentivar a busca por ajuda. Uma escuta atenta, o convite para conversar ou mesmo o apoio no primeiro contato com os serviços de atendimento da universidade já podem fazer diferença.
Para Pereira, ampliar o debate sobre saúde mental dentro das instituições é essencial para reduzir o estigma e incentivar a busca por apoio. “Quando a universidade fala sobre saúde mental de forma aberta e responsável, os estudantes percebem que não estão sozinhos e se sentem mais autorizados a procurar ajuda”, destaca.
Fonte: Estácio












