Cerimônia anual é organizada por alunos da UFCSPA.
Estudantes e professores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) prestaram uma homenagem aos doadores e familiares de doadores de corpos para a universidade na noite desta quarta-feira, 19. O evento, realizado no Teatro Moacyr Scliar, na sede da UFCSPA, em Porto Alegre, teve discursos de professores e apresentação de alunos. No principal momento da noite, cerca de 20 estudantes seguraram velas no palco em homenagem à memória dos mortos.
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O bancário Gerson Garcia, 55 anos, foi um dos presentes na plateia. Ele lembra que sua mãe manifestou em vida a vontade de doar o corpo para os estudos realizados na UFCSPA. Quando faleceu, em 2018, vítima de Alzheimer, seu filho cumpriu a vontade dela. “É um momento que a gente respeitou. Vir aqui todos os anos é muito legal, porque é um momento que a gente, na correria do dia a dia, para pra pensar e relembrar os tantos bons momentos que a gente teve em vida. É o ciclo da vida. A minha irmã também é doadora. E eu também”, relembra.
A professora de anatomia humana e Coordenadora do Programa de Doação de Corpos da UFCSPA Andréa Oxley explica que os corpos são utilizados por cerca de 500 alunos de todos os cursos da universidade. Os cadáveres auxiliam no aprendizado de anatomia, técnicas cirúrgicas, pesquisas e na qualificação de profissionais formados. “A doação é necessária para formação dos alunos e é um gesto altruísta, porque a gente doa sem ter nada em troca. Acreditamos que com isso a gente está contribuindo para a formação de melhores profissionais que vão trabalhar para atender as pessoas com melhor qualificação”, destaca.
Andréa lembra que o Programa de Doação de Corpos foi criado em 2008, quando se deixou de trabalhar com corpos não reclamados. Ela também ressalta que os familiares que autorizam a doação abrem mão dos rituais de despedida do ente querido, e isso é um dos motivos pelos quais os alunos produzem a homenagem, como forma de agradecimento. “Essa homenagem é o que tranquiliza todos em relação ao respeito e ao cuidado que se tem com esses corpos. Então, os próprios alunos fazem homenagem. Para eles é um trabalho ético e humanístico”, conta.
O estudante Pedro Machado Garcia, 22 anos, destaca a importância de aprender a medicina com corpos reais. “Desde o primeiro semestre a gente tem contato direto com esses corpos. É algo bem importante para nós esse dia, porque nossa professora desde que a gente entrou, nos deixou a parte do quão importante é esse contato com o cadáver. Então, a gente está aqui nesta noite para homenagear essas pessoas”, afirma.
Correio do Povo












