Área afetada fica no bairro Barra, região de confluência do Rio Tramandaí com o Oceano Atlântico.
Duda Fortes/Agencia RBS
Área afetada fica no bairro Barra, região de confluência do Rio Tramandaí com o Oceano Atlântico. Duda Fortes/Agencia RBS

Acordo já com a vassoura na mão, relata morador de bairro afetado por avanço de dunas em Tramandaí

Prefeitura prevê a colocação de uma nova contenção com toras de madeira para conter a areia; Fepam ainda analisa a solicitação.

Casas de alvenaria com histórias familiares e ruas que outrora eram espaço de brincadeiras de crianças no verão gaúcho pouco lembram, atualmente, os áureos tempos em um bairro de Tramandaí.

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A areia vem tomando conta de tudo no bairro Barra, região de confluência do Rio Tramandaí com o Oceano Atlântico.

Área povoada inicialmente por pescadores há pelo menos seis décadas, a península viu florescer ruas, casas de dois andares e serviços.

Mas a natureza decidiu o cobrar o preço da ocupação humana. Nos últimos meses, dunas com até 8 metros de altura já encostam nas casas, tornando quase insustentável manter os lares limpos.

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— Já acordo com a vassoura na mão, porque se deixar acumular areia, cada vez fica pior — relata Flávio da Silva, 68 anos, aposentado e morador da avenida Flores da Cunha.

O aposentado morou a vida inteira na região e diz nunca ter observado as dunas chegarem a tal altura. O meio-fio das ruas está tomado por montes de areia, varridos pelos vizinhos.

— Depende do vento nordeste. Se der nordestão forte, pode limpar no dia e, no outro, vai estar tudo comido de areia igual. Quando o nordeste é fraco, a gente até passa, às vezes, uma semana, duas semanas que dá para ir levando sem limpar — disse.

Pescador e morador ao longo dos 60 anos de vida na barra do Rio Tramandaí, Otávio Lentz Pereira também virou caseiro de algumas das casas de veraneio na rua. É rotina a retirada permanente de areia.

— É limpar duas vezes por dia. Começa de manhã e tem que começar de tarde de novo por causa do vento nordeste. Isso aí é brabo — relata o pescador.

Área afetada fica no bairro Barra, região de confluência do Rio Tramandaí com o Oceano Atlântico. Duda Fortes/Agencia RBS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Soluções possíveis

Moradores cobram uma ação das autoridades. A prefeitura de Tramanadaí alega que promove ações limitadas. Sem poder colocar máquinas sobre as dunas, o trabalho manual não dá conta de barrar o avanço da areia.

— A prefeitura tem feito a retirada de areia liberada e permitida pela Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), mas dentro das suas possibilidades e dos seus maquinários disponíveis — garante a secretária do Meio Ambiente de Tramandaí, Minuche Marchini.

Uma das possíveis soluções defendidas pela prefeitura é a colocação de uma nova contenção com toras de madeira, mais altas, com 3 metros de altura. Solução que, no passado, já havia sido adotada. A secretária municipal afirma que um pedido de autorização feito em maio teve negativa da Fepam.

A contenção, segundo Minuche, poderia ajudar na recuperação da vegetação nas dunas, evitando a sua movimentação:

— Essa contenção já existiu em 2008 e ajudou na regeneração da duna. O que acontece hoje? A duna acaba “escorrendo” e vai para a via. A vegetação que está se formando, se criando, acaba “escorrendo” junto.

A Fepam informou, por meio de nota, que está em processo de análise “a solicitação do município para a instalação de toras de madeira como contenção de areia em um trecho da Rua Parque Náutico, em complementação às demais ações já autorizadas” (veja nota completa abaixo).

Para os especialistas, o problema é resultado da ocupação humana em um espaço que deveria ser de proteção permanente. Após décadas de um “descanso” é natural que as dunas voltem a se movimentar.

— São processos de grande escala que tem ciclos, às vezes, de até 50 anos. É um equilíbrio dinâmico nesses ambientes — explica Tatiana Silva da Silva, oceanóloga do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Gabriela Rockett, professora da UFRGS e pesquisadora do Ceclimar, afirma que o litoral gaúcho tem sofrido com os reflexos das mudanças climáticas:

— Desde 2019, temos registrado, em média, pelo menos um ciclone por ano e, em alguns casos, dois. Esses fenômenos costeiros, com a intensidade observada atualmente, eram menos frequentes no passado. Esses eventos afetam a dinâmica de movimentação das dunas e podem causar danos à população, como destelhamentos — destaca.

 

Nota da Fepam

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) informa que a Prefeitura de Tramandaí possui Licença Ambiental para o manejo de dunas n. 2697/2024 em vigor.

A licença exige e autoriza a execução, por parte da Prefeitura, do Plano de Recuperação de Área Degradada no Bairro Barra.

O plano contempla, entre outras atividades, a instalação de barreiras temporárias utilizadas para controle da erosão e retenção da areia, a colocação de cobertura morta e de vegetação nativa fixadora de dunas.

Atualmente, está em processo de análise junto à Fepam a solicitação do município para a instalação de toras de madeira como contenção de areia em um trecho da Rua Parque Náutico, em complementação às demais ações já autorizadas.

 

diariogaucho.clicrbs.com.br

 

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