Moradores e Veranistas promovem ato contra a Demolição do Bar Azul em Cidreira

Grupo se reúne neste sábado para abraço simbólico no prédio localizado à beira-mar

SAIBA MAIS

SAIBA MAIS

Ponto de encontro tradicional de moradores e veranistas, local também recebe torneios de futebol de areia.

SAIBA MAIS

Patrícia Americano / Arquivo Pessoal/Divulgação

SAIBA MAIS

Um dos pontos tradicionais de Cidreira, no Litoral Norte, o Bar Azul está com os dias contados. Isso porque o Ministério Público Federal (MPF/RS) obteve decisão da Justiça Federal para a colocar abaixo o prédio localizado na Rua Osvaldo Aranha, no Centro.

SAIBA MAIS

Insatisfeitos com a determinação da Justiça, moradores e veranistas vão realizar neste sábado (11), às 10h, um ato contra a demolição. O grupo vai promover um abraço simbólico na estrutura.

SAIBA MAIS

Um dos organizadores da manifestação, o corretor de seguros Mauro Doebber, 64, frequenta o bar há décadas. Ele diz que o local é ponto de encontro para disputa de torneios de futebol de areia.

SAIBA MAIS

— É um ponto turístico. Tem restaurante e a comida é muito boa. Todos os dias está lotado. Todo mundo que vem para cá sabe onde é o Bar Azul — garante.

SAIBA MAIS

Na ação civil pública ajuizada contra o município, a proprietária e ex-locatário, o MPF alega que a estrutura ocupa uma área de preservação permanente, sobre dunas frontais, sem licenciamento ambiental. Os réus recorreram da decisão, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) deferiu, em última instância, o pedido do MPF. Em 7 de novembro, o MPF peticionou solicitando a fase de cumprimento de sentença.

SAIBA MAIS

Quando os réus forem intimados, começa a contar o prazo de 90 dias para apresentar projeto de demolição e descarte adequado dos escombros em local licenciado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Proprietária do prédio, a economista Rozângela Pereira Alves, 70 anos, explica que a compra do edifício era um desejo do marido Antenor Vestena, que faleceu há 17 anos.

SAIBA MAIS

O imóvel adquirido pelo casal em 1998 conta com três apartamentos — dois no primeiro andar e outro no segundo — e o espaço do Bar, que está alugado para um casal. Durante o veraneio, ela costuma alugar as duas residências do térreo. A outra unidade é onde Rozângela reside durante o verão. Um quiosque também foi construído na propriedade em 2022. Conforme Rozângela, isso teria motivado a ação do MPF.

SAIBA MAIS

— Vamos fazer um abraço no bar. Estou me sentindo discriminada, porque se a lei é para um, tem que ser para todos. Tem gente aqui do Centro de Cidreira que está dentro do mar muito mais do que eu — avalia, acrescentando que o imóvel está regularizado.

SAIBA MAIS

Desde que comprou o prédio, que tem 334 metros quadrados, Rozângela enfrentou outras batalhas judiciais pela demolição da estrutura, mas sempre teve ganho de causa na Justiça. Ela afirma que o estabelecimento tem permissão de uso da Marinha.

SAIBA MAIS

— A demolição representa o fim da história de uma cidade, de uma família e de diversas pessoas envolvidas nisso. Seria uma agressão numa história de uma cidade pequena, uma praia simples. Vai ser um choque para toda a população — avalia.

SAIBA MAIS

"Bar está instalado há anos naquele local"O advogado Décio Itiberê, que atuou na defesa do município no processo, critica a decisão do STF. E diz que é contra a demolição:

SAIBA MAIS

— Se trata de uma burocracia, pois não prejudica nada, não prejudica o meio ambiente. O bar está instalado há anos naquele local. É uma referência e todo mundo sabe onde fica o Bar Azul. Lutamos judicialmente em todas as instâncias, mas não tem mais o que fazer. As medidas judiciais estão esgotadas — admite.

SAIBA MAIS

Conforme Itibirê, o município, a proprietária e um ex-locatário não foram intimados pela Justiça para iniciar o processo de demolição.

SAIBA MAIS

— Após intimação, o atual proprietário vai apresentar um plano de demolição com previsão de destino dos resíduos e encerrar definitivamente essa pendenga — completa.

SAIBA MAIS

Atual locatário do Bar Azul, Marcos Batista da Silva, 48, mantém o local em funcionamento há seis temporadas. A decisão da Justiça deixou a família apreensiva.

SAIBA MAIS

— É meu ganha pão. Tenho uma filha na faculdade, por isso fiquei desnorteado com essa decisão. Fiz até exame do coração, mas o médico afirmou que é em decorrência de estresse e preocupação. Ficamos sem rumo, estávamos com planos, mas foi tudo por água abaixo. Sempre paguei certinho para a proprietária — afirma.

SAIBA MAIS

Silva mantém o negócio com a esposa Patrícia Americano, 46 anos. Ele explica que o bar já tem uma clientela fiel.

SAIBA MAIS

— O pessoal que vem aqui está indignado, pois é um ponto de referência de Cidreira —, destaca.

SAIBA MAIS

Se trata de uma burocracia, pois não prejudica nada, não prejudica o meio ambiente. O bar está instalado há anos naquele local. É uma referência e todo mundo sabe onde fica o Bar Azul. Lutamos judicialmente em todas as instâncias, mas não tem mais o que fazer. As medidas judiciais estão esgotadas.

DÉCIO ITIBERÊ

SAIBA MAIS

Advogado que atuou na defesa do município no processo

SAIBA MAIS

gauchazh.clicrbs.com.br

SAIBA MAIS

Gostou deste story?

Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!

Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!

Portal Serra e Litoral