Estelionatários criam anúncios falsos pela internet e enganam veranistas.
Após ser vítima do golpe do aluguel no Litoral Norte, um casal da Região Metropolitana se viu sem ter para onde dormir, no meio da rua durante a madrugada, e precisou passar a noite dentro do carro.
O episódio aconteceu um dia antes da virada de ano, em Torres.
Os estelionatários usaram fotos de um imóvel verdadeiro para criar um falso anúncio na internet e ludibriar as vítimas.
Esse tipo de trapaça costuma ter maior incidência durante os períodos festivos e o verão.
Segundo a Polícia Civil, foram registradas 75 ocorrências deste tipo de crime entre novembro e a última quinta-feira (4), no Litoral Norte.
A viagem que era para ser um momento de descanso para o casal da Região Metropolitana acabou se transformando em confusão e dor de cabeça.
O contato com a pessoa que se apresentava como proprietária do imóvel foi realizado pela internet. Nas primeiras mensagens pelo WhatsApp, a conversa foi sobre a hospedagem e o valor das diárias.
Por fim, foi feito pedido para que fosse encaminhado o pagamento adiantado de 50% das diárias pelo Pix. O valor era atrativo: R$ 150.
Desconfiada, a jovem alegou que tinha receio de ser enganada e cair em algum golpe. “Sou mãe, tenho família, jamais faria uma coisa dessas”, escreveu a suposta proprietária. Logo depois, garantiu que o casal poderia fazer a viagem com tranquilidade, que o imóvel estava reservado. Acreditando que conversava mesmo a dona, a vítima decidiu fazer o pagamento. “Podem vir tranquilos. Agradeço a confiança”, respondeu a suposta dona do imóvel.
Naquela mesma noite, o casal viajou para o Litoral, e, pouco antes de chegar ao local do imóvel, a jovem avisou que estava se aproximando. Recebeu mais uma resposta “Tô indo aí”. Depois disso, ninguém apareceu no endereço. O casal ligou repetidas vezes para o número com o qual havia negociado, mas não obteve mais retorno. Já durante a madrugada, sem ter para onde ir, os dois decidiram passar a noite dentro do carro.
— No outro dia, falei com a dona da casa e ela explicou que publicou uma vez na internet e alguém pegou as fotos (do imóvel) e começou a usar para aplicar golpes. E aí vai um monte de gente (vítimas de golpe) para lá e ela nem sabe o que fazer — conta a jovem.
Sem ter onde se hospedar em Torres, o casal precisou viajar de volta até outra praia, onde estavam hospedados familiares para poder passar o Ano Novo.
O dilema de ter um imóvel anunciado por golpistas é vivido por uma proprietária em Capão da Canoa, também no Litoral Norte.
A aposentada Marize Tischer Brune, 53 anos, moradora de Teutônia, no Vale do Taquari, adquiriu no ano passado um prédio no bairro Arco-Íris.
Em dezembro, começou a receber mensagens de pessoas dizendo ter locado apartamentos no local para o veraneio. Foi quando descobriu que alguém estava usando as fotos do imóvel para fazer anúncios falsos pela internet.
— Estavam usando minhas fotos, mas com um valor muito abaixo, a diária por R$ 100 para a virada do ano. Algumas pessoas desconfiaram, foram procurar e encontraram o meu anúncio. Então entraram em contato comigo e alertei que aquilo era golpe — conta a proprietária.
Uma das vítimas diz que já estava no ônibus, a caminho do Litoral Norte, quando conseguiu contato com Marize.
Outra só soube da trapaça ao chegar ao local e encontrar a proprietária, que alertou que era um golpe. Num dos casos, a dona chegou a ser ofendida por uma das vítimas, que suspeitou da idoneidade dela:
— Ela me xingou muito, coitada. Pensou que eu estivesse envolvida. Quando expliquei, que eu também era uma vítima, como ela, pediu desculpas. Me senti muito mal. Penso que fica imagem negativa do meu imóvel.
Marize ainda buscou ajudar as pessoas lesadas, procurando outros imóveis para que eles se hospedassem, já que neste período tudo fica praticamente lotado. A proprietária registrou o caso por meio da Delegacia Online da Polícia Civil e fez alertas nas redes sociais. Depois disso, passou a usar o nome do residencial e seu telefone nas fotos que publica.
— As pessoas precisam se informar o máximo possível. Pedir uma videochamada, algo assim. Tentar se proteger de alguma maneira. Não ir só na conversa do telefone, sem saber quem está do outro lado. É tão difícil perder dinheiro. E fora o estresse que passa. Tentei ajudar como deu. Liguei para tudo que é lugar. Mas não se acha mais nada em época de Ano Novo — alerta.
Em Itapema, Santa Catarina, um caso ganhou repercussão também na virada de ano. Um grupo, de 68 veranistas do Rio Grande do Sul, chegou ao local reservado, após viajar mais de 600 quilômetros, e deparou com o espaço em obras. Pela hospedagem teriam sido pagos R$ 33,9 mil.
A intenção era permanecer no local entre os dias 28 de dezembro e 1º de janeiro, mas vídeos gravados pelo grupo mostram que a pousada ainda estava em construção.
A Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada e o caso está sob investigação da Polícia Civil. No retorno para casa, os turistas conseguiram outra pousada, em Garopaba, onde se hospedaram para passar a virada do ano.
Como agem
Para se prevenir
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