Exame de Sangue para Alzheimer avança e pode transformar diagnóstico da doença

Em evento promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, pesquisador referência mundial em biomarcadores afirmou que testes sanguíneos para Alzheimer já alcançam 95% de precisão diagnóstica

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A possibilidade de diagnosticar o Alzheimer por meio de um exame de sangue vem ganhando força nos principais centros de pesquisa do mundo.

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Os avanços mais recentes nessa área foram apresentados pelo pesquisador sueco Kaj Blennow durante o Clinical Research Summit 2026, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

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Considerado um dos principais especialistas do mundo em biomarcadores para doenças neurodegenerativas, Blennow mostrou pesquisas voltadas ao uso de exames de sangue na identificação precoce do Alzheimer.

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A proposta é ampliar o acesso ao diagnóstico e reduzir a dependência de métodos caros, como o PET scan cerebral, e de procedimentos invasivos, como a coleta de líquido cefalorraquidiano por punção lombar.

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Segundo o pesquisador, os novos testes medem proteínas associadas às alterações cerebrais características do Alzheimer, especialmente biomarcadores relacionados à proteína tau. “A fosfo-tau, especialmente a p-tau217, tem um excelente desempenho para detectar Alzheimer em fases precoces. Ela se correlaciona muito bem com as alterações observadas no cérebro”, explicou.

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Os estudos apresentados durante o evento mostram que a combinação desses biomarcadores sanguíneos já alcança cerca de 95% de precisão para confirmar ou excluir a presença da doença em pacientes com declínio cognitivo, especialmente quando aplicada a estratégia de classificação por grupos de risco. “É um resultado promissor. Estamos nos aproximando de um cenário em que um exame de sangue poderá auxiliar de forma muito confiável o diagnóstico clínico do Alzheimer”, afirmou.

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Blennow destacou, no entanto, que a estratégia não deve ser utilizada inicialmente como rastreamento em massa da população. O foco, segundo ele, será apoiar a investigação de pessoas que já procuram atendimento médico por sintomas como lapsos de memória ou dificuldades cognitivas: “o objetivo não é testar indiscriminadamente pessoas saudáveis, mas ajudar pacientes que já chegam preocupados aos serviços de saúde”.

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Além da precisão diagnóstica, os pesquisadores enxergam nos exames de sangue uma possibilidade concreta de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente em serviços de atenção primária e regiões sem infraestrutura avançada de imagem. Durante a apresentação, Blennow também apresentou resultados de estudos com coleta capilar por gota de sangue seca, tecnologia semelhante à utilizada em testes rápidos. A proposta é permitir futuramente análises mais simples, inclusive em locais remotos.

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Apesar do avanço, o pesquisador ponderou que os testes ainda passarão por etapas de validação antes de serem incorporados de forma ampla à rotina clínica. “Os resultados são muito promissores, mas ainda levará algum tempo até que esses exames estejam amplamente disponíveis para toda a população”, concluiu.

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Os biomarcadores para Alzheimer ganharam relevância internacional nos últimos anos diante do crescimento de terapias capazes de retardar a progressão da doença em estágios iniciais. Por isso, identificar precocemente os pacientes tende a se tornar uma etapa central no manejo clínico da enfermidade. Para Kaj Blennow, os exames de sangue representam um dos caminhos mais promissores para tornar esse diagnóstico mais acessível, rápido e preciso nos próximos anos.

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Clinical Research Summit 2026

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Com foco nos avanços e desafios da pesquisa clínica, Porto Alegre sediou, nos dias 12 e 13 de maio, a segunda edição do Clinical Research Summit 2026, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento.

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O encontro reuniu cerca de 500 participantes, entre pesquisadores nacionais e internacionais, representantes da academia, hospitais, indústria farmacêutica, órgãos reguladores e instituições públicas de saúde.

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Ao todo, foram realizadas 16 palestras e mesas de discussão sobre temas estratégicos para a área, como inteligência artificial, medicina personalizada, inovação em saúde, regulação e os desafios da pesquisa clínica no Brasil.

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Fonte: Hospital Moinhos de Vento

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