Ex-secretária e Veterinários são presos por eutanásias “em massa” no RS

Investigação apontou esquema para desviar valores doados para tratamentos que nunca ocorreram.

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A protetora de animais e ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), Paula Lopes, foi presa nesta segunda-feira (15).

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Além dela, a Polícia Civil prendeu dois veterinários - entre eles, uma mulher que também trabalhava no órgão municipal, por um esquema de eutanásia em massa de cães e gatos para desviar valores doados para tratamentos que nunca aconteceram.

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As investigações tiveram início em 2025. Na primeira fase da operação, que foi deflagrada em setembro, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria, na casa e no sítio da ex-secretária e na residência da veterinária que atuava junto à secretaria.

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De acordo com a investigação, após análise do material apreendido, foi constatado que o número de eutanásias na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas estava acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos e também em comparação aos anos anteriores.

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Ao todo, foram pelo menos 478 procedimentos em oito meses. Depois, os animais eram levados a uma universidade para serem incinerados.

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A denúncia sobre o caso veio de usuários do serviço e dos próprios agentes da Secretaria. Segundo a Polícia Civil, a mulher valia-se da condição de "protetora dos animais" para praticar os crimes.

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A Polícia Civil disse que ficou comprovado que os animais resgatados eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda havia alternativas de tratamento. Em um dos casos, uma cadela com cinomose teria sido atendida por uma veterinária da Secretaria, que comunicou à suspeita a possibilidade de realizar um exame para diagnóstico da doença.

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No entanto, a ex-secretária teria autorizado a eutanásia, sem confirmação diagnóstica prévia. A apuração também identificou que, na mesma data, a mulher teria pedido doações, nas redes sociais, para custear o suposto tratamento do mesmo animal.

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Em outra situação, Paula teria tratado com uma veterinária sobre um animal com suspeita de esporotricose. Embora a profissional tenha explicado que havia possibilidade de tratamento, a ordem foi para a realização de eutanásia.

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Nas redes sociais, a suposta protetora publicava fotos com animais com deficiência que dizia adotar e salvar por meio de uma ONG. Para a polícia, era dessa maneira que ela legitimava as captações de doação em dinheiro.

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Além disso, conforme a investigação, a exoneração do cargo de secretária não desmobilizou o esquema, que continuou a operar no sítio onde funcionava a suposta ONG. Paula foi secretária de Bem-Estar Animal do município entre janeiro e agosto de 2025 - mês em que foi exonerada.

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De acordo com o apurado, ela atuava desde 2020, com mais de 500 vaquinhas realizadas durante o período. No total, o Instituto já recebeu cerca de R$ 670 mil, de doações de quase 15 mil pessoas, informou a polícia.

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“A morte de cada cão não era um ato de piedade, mas um ato de lucro. A polícia agora busca os registros de microchip de todos os animais que sumiram para, quem sabe, tentar identificar quantas vidas foram sacrificadas em nome de Pix”, disse a delegada responsável pela investigação, Luciane Bertoletti.

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Além das prisões de Paula e dos veterinários, foram apreendidos celulares, computadores e outras provas para a sequência das investigações. Também foi resgatado o cachorro “Dudu”, animal sem as patas dianteiras, que era utilizado para pedidos de pix nas redes sociais.

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cnnbrasil.com.br

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