Médicos destacam principais riscos de saúde associados aos alagamentos e quais são as medidas de prevenção.
O Rio Grande do Sul vem enfrentando a maior enchente de sua história. Segundo a Defesa Civil Estadual, já são cerca de 88.019 pessoas desalojadas, 16.609 pessoas em abrigos e outras 155 feridas em decorrência dos estragos causados pelas enchentes. Pelo menos 334 municípios foram afetados por alagamentos.
Neste cenário extremo onde o foco imediato é salvar vidas, muitos cuidados secundários podem ser esquecidos, como as medidas preventivas contra doenças causadas pelo contato com água, lama ou alimentos contaminados e também doenças causadas pelo contato com animais peçonhentos ou não-peçonhentos.
Segundo Luciano Lunardi, médico que integra o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Cristo Redentor, as principais doenças às quais os moradores e pessoas que atuam em zonas alagadas estão expostos são: hepatite A, leptospirose, doenças diarreicas e tétano, sendo o tétano um risco apenas às pessoas que não tomaram a vacina antitetânica na infância.
Segundo as fontes ouvidas nesta matéria, ainda não há aumento de internações por conta das doenças citadas.
Vacinas antitetânicas estão sendo aplicadas por médicos voluntários nos albergues provisórios disponibilizados pela prefeitura de Porto Alegre. Somente no abrigo da Escola de Ed. Física Fisioterapia e Dança (ESEF) da UFRGS, 50 doses foram aplicadas neste sábado.
Segundo Benvegnú Toti, diretor de Atenção Primária do Grupo Hospitalar Conceição, caso o nível dos rios demore mais de 20 dias para baixar, é recomendado que as pessoas evitem ao máximo ingerir água da torneira. Como precaução, será necessário ferver e filtrar a água e, caso não seja possível estas medidas, tratar a água com duas gotas de água sanitária a cada 200ml e deixar agir por 30 minutos.
Medidas preventivas para quem vai acessar uma área alagadaA principal medida preventiva contra as doenças infecciosas transmitidas pelo contato com água ou lama contaminada é evitar as áreas alagadas. Mas evidentemente muitas pessoas precisam adentrar estes locais.
Veja abaixo como proceder nestes casos:
Leptospirose
Doença infecciosa febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos).
Sintomas:
O tempo de incubação da bactéria é de 1 a 30 dias, mas os sintomas costumam aparecer a partir do 4º ou 7º dia de contato.
O que fazer?
Quando não diagnosticada, a leptospirose pode evoluir para um quadro grave.
A pessoa com sintomas deve procurar uma Unidade Básica de Saúde ou Unidade de Pronto Atendimento, onde o tratamento com antibiótico adequado será iniciado.
Hepatite A é uma inflamação do fígado provocada pelo vírus VHA. A contaminação se dá por contato com esgoto ou fezes contaminadas.
É uma doença com riscos menores. Complicações graves são incomuns, mas pode haver associação com doenças pré-existentes.
Via de regra é uma doença viral que passa em 7 dias.
Sintomas:
Os sintomas costumam aparecer de 15 a 50 dias após a infecção e duram menos de dois meses.
O que fazer?
Procurar atendimento em uma UBS em caso de qualquer um dos sintomas.
Doenças diarreicas
Quadro causado por contato ou ingestão de água ou alimentos contaminados por bactérias.
Sintomas:
O que fazer?
Procurar atendimento em uma UBS em caso de qualquer um dos sintomas.
O que fazer?
O tétano é uma infecção grave que afeta os nervos e pode levar à morte. É causada pelo contato de um ferimento com materiais enferrujados.
O que fazer?
Em caso de não ter sido vacinado contra tétano na infância, buscar UBS para tomar a vacina.
Benvegnú Toti, diretor de Atenção Primária do Grupo Hospitalar Conceição, alerta ainda para os cuidados com doenças crônicas como hipertensão, diabetes e doenças renais, uma vez que pacientes com estes quadros não podem deixar de tomar a medicação. Segundo Toti, em caso de extravio dos medicamentos, é importante que os pacientes ou familiares adquiram os remédios novamente com urgência.
Conforme Toti, o Grupo Hospitalar Conceição está deslocando médicos da atenção primária para atenderem de forma voluntária nos albergues da Prefeitura. Os profissionais estão dando atenção a sintomas das doenças mais comuns associadas às enchentes e receitando medicações como antibióticos, podendo, se necessário, encaminhar os pacientes ao SAMU.
“Organizamos toda nossa estrutura, dos Hospitais e da Unidade de Pronto Atendimento, pensando que somos referência em alta complexidade e entendemos que precisamos ter disponibilidade para receber pacientes de outros hospitais. Quando o paciente está mais grave costuma vir para o Conceição e nós estaremos prontos para receber”, disse Toti.
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