Abril Azul: A importância do debate sobre desafios enfrentados por adultos com TEA

A campanha Abril Azul reforça a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e contribui para ampliar o debate sobre inclusão e direitos.

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Ao longo dos anos, boa parte das discussões tem se concentrado no diagnóstico precoce e no acompanhamento na infância, fase em que geralmente surgem os primeiros sinais.

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No entanto, o autismo acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, e a realidade de adultos no espectro, que envolve diagnóstico tardio, desafios de inserção no mercado de trabalho e acesso a políticas públicas, ainda permanece menos explorada.

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De acordo com a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Estácio, Simone Chandler Frichembruder, a representação social do autismo permanece fortemente associada à infância, muitas vezes vinculada a estereótipos ou à ideia de genialidade.

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Segundo ela, apesar de avanços recentes, o investimento em pesquisas e na formação de profissionais ainda está majoritariamente concentrado nas fases iniciais da vida.

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Nesse sentido, um marco citado pela profissional é a sanção da Lei 15.256/2025, que prevê incentivo à investigação diagnóstica do TEA em adultos e idosos. “Essa Lei é fundamental, pois busca reparar uma dívida histórica e passa a atender um público que chega à vida adulta ou velhice sem ter recebido o diagnóstico formal e, por sua vez, sem acesso aos direitos e políticas públicas voltadas a eles”, aponta.

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Ao tratar da autonomia, a psicóloga ressalta que o diagnóstico de autismo não define, por si só, as capacidades do indivíduo.

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Ainda assim, ela observa que pessoas consideradas socialmente diferentes costumam ser colocadas no lugar da incapacidade. “Um dos grandes desafios é o olhar que reduz a pessoa autista à condição de incapaz”, pontua.

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No que se refere ao mercado de trabalho, Simone menciona dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, que indicam que 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de autismo e a estimativa é de que 85% deles estejam fora do mercado de trabalho. “Isso é um dado preocupante, pois até a sanção da lei, essas pessoas também estavam sem acesso às políticas públicas, o que as colocam em uma situação de vulnerabilidade”, pondera.

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Para a professora, as barreiras começam na trajetória educacional.

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Informações do Censo Demográfico 2022 mostram que 46,2% das pessoas com autismo não concluíram o ensino fundamental, percentual superior ao registrado na população em geral (35,2%). “Uma diferença que expõe as barreiras persistentes no acesso e na permanência escolar ao longo da vida”, salienta.

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Nos processos seletivos, segundo Simone, critérios excessivamente centrados na comunicação verbal e em habilidades sociais padronizadas podem desconsiderar competências técnicas e potenciais específicos.

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Quando conquistam uma vaga, surge outro problema: ambientes pouco adaptados, com sobrecarga sensorial e exigência constante de socialização.

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Conforme a especialista, esse cenário está inserido em um contexto mais amplo de preconceito estrutural, no qual as pessoas com TEA são tratadas como incapazes, independentemente de suas habilidades.

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A exclusão pode se manifestar de forma sutil, como na ausência de solicitação para tarefas simples ou na desconsideração permanente de suas competências.

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Para a psicóloga, ampliar o debate significa reconhecer que o autismo atravessa todas as fases da vida e que a inclusão não se limita ao diagnóstico ou à garantia formal de direitos, mas envolve condições reais de participação social, educacional e profissional ao longo do tempo. “Pensar no futuro dessas pessoas, garantir que envelheçam com dignidade e apoio, é mais do que um ato de conscientização: é um dever de toda a sociedade”, conclui.

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Fonte: Estácio

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